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Flávio Bolsonaro critica governo Lula após alerta sobre sobretaxa chinesa para carne bovina

11 de jul.
2 min de leitura

O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) responsabilizou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo risco de aumento da tributação sobre as exportações brasileiras de carne bovina para a China.

Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (10), o parlamentar afirmou que o Brasil poderá enfrentar uma sobretaxa de 55% sobre os embarques que ultrapassarem a cota anual estabelecida pelo governo chinês. Considerando a tarifa de 12% aplicada às exportações dentro do limite permitido, a taxação total sobre o volume excedente pode chegar a 67%, segundo o senador.

Na gravação, Flávio questionou se também seria responsabilizado pela medida adotada pela China e declarou que continuará atuando contra tarifas impostas por outros países aos produtos brasileiros.

A manifestação ocorre poucos dias após o senador participar, em Washington, de uma audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discutiu a proposta do presidente norte-americano Donald Trump de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Na ocasião, Flávio defendeu que a medida fosse adiada para depois das eleições brasileiras.

O parlamentar tem buscado rebater críticas que o associaram ao anúncio das tarifas norte-americanas, divulgado dias após sua viagem aos Estados Unidos.

Segundo levantamento da consultoria StoneX, até junho o Brasil já havia utilizado 98,5% da cota anual de importação de carne bovina concedida pela China, equivalente a 1,106 milhão de toneladas. O limite foi criado pelas autoridades chinesas como mecanismo de proteção ao mercado interno.

Dentro dessa cota, incide uma tarifa de 12%. Após o esgotamento do volume permitido, passa a valer uma sobretaxa adicional sobre as exportações excedentes.

Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou aproximadamente 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, volume cerca de 16% superior ao registrado no mesmo período de 2025. De acordo com a StoneX, o crescimento foi impulsionado pela antecipação dos embarques por parte dos exportadores, que buscaram garantir a entrada da carne na China antes do esgotamento da cota anual.

A consultoria avalia que esse movimento poderá provocar uma redução temporária das exportações brasileiras para o mercado chinês durante o terceiro trimestre. Parte da produção destinada inicialmente à China deverá ser direcionada a outros mercados internacionais ou absorvida pelo mercado interno.

Apesar do alerta sobre a diminuição dos embarques, a StoneX não atribui o cenário a falhas nas negociações diplomáticas do governo brasileiro. Segundo a empresa, a situação decorre principalmente da dinâmica comercial e da estratégia adotada pelos exportadores para aproveitar integralmente o limite anual de importação estabelecido pela China.

 
 
 

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