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Fim da escala 6x1 divide opiniões entre empresários, sindicatos e economistas

2 de set.
2 min de leitura

O fim da escala 6x1 voltou ao centro do debate em Brasília e divide opiniões. A PEC que aumenta o descanso semanal sem corte de salário está prevista para ser votada na CCJ do Senado nesta quarta-feira (2), a pouco mais de um mês das eleições.

A proposta é uma das bandeiras de Lula (PT) na corrida pela reeleição. O presidente tem associado a mudança a mais tempo com a família."Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores, mas nosso governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6x1, sem redução do salário", publicou no X.Nos bastidores, o governo já estuda adiar a votação caso não haja consenso. Já o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ficou em Brasília nesta terça (1) para acompanhar as articulações e defendeu que o trabalhador tenha liberdade para escolher a jornada.O que dizem os empresáriosO posicionamento foi o mesmo de Luciano Hang, da Havan. Em evento em Goiás, ele disse que a liberdade de horário deveria ser do trabalhador, não do Congresso. Depois afirmou que a fala foi tirada de contexto.Na contramão, a empresária Isabela Raposeiras, do Coffee Lab (SP), defendeu a mudança. Ela conta que saiu do 6x1 para o 4x3 e viu faturamento crescer 35%."Produtividade aumenta quando as pessoas são vistas, ouvidas, descansadas. O principal ativo de uma empresa é o recurso humano", disse.A CNC, que representa comércio e serviços, lançou campanha contra a votação agora: "Mudança das regras do trabalho às vésperas das eleições? Agora não". Já a Fiesp afirma que o impacto precisa ser analisado setor a setor e cita o Chile, onde a redução gerou informalidade e queda de 1% a 3% no PIB.Pelo texto aprovado na Câmara, a mudança será gradual: primeiro a jornada cai de 44h para 42h, 60 dias após a promulgação. Depois vai para 40h, 12 meses depois. A oposição tenta ampliar o prazo de transição.O que dizem os sindicatosRicardo Patah, presidente da UGT e do Sindicato dos Comerciários de SP, rebate a pressão para adiar."Essa discussão não caiu do céu. A redução para 40 horas é debatida desde 1917. Desde a Lei Áurea os empresários reclamam de qualquer mudança", afirmou.Pesquisa Datafolha de março apontou que 71% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6x1.O que dizem os economistasOs estudos se dividem.Custo: O Ipea calcula alta de 7,84% no custo da mão de obra, absorvível pela economia. A CBIC fala em até 15% e necessidade de contratar 288 mil pessoas. O Dieese vê impacto pequeno, de 22% para 24% na folha da indústria.Emprego: Um estudo do FGV/Ibre baseado em Portugal estima perda de 638 mil vagas formais. Já pesquisa do Insper/USP sobre a redução de 48h para 44h nos anos 80 e 90 mostrou que não houve mais desemprego e que o bem-estar aumentou.Produtividade: Unicamp diz que a queda de horas pode ser compensada por mais eficiência. Outros economistas alertam que o Brasil tem produtividade travada há 30 anos - hoje um trabalhador produz menos de 25% do que um americano.Em comum, todos reconhecem um ponto: trabalhador mais descansado tende a produzir melhor e ter menos afastamentos, mas a transição tem um custo que pesa mais para pequenos negócios.

 
 
 

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