Ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña tem prisão decretada após impeachment ligado a escândalo bancário
Internacional • Política • 6 de novembro de 2026

O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, teve a prisão determinada pelo Ministério Público do país nesta sexta-feira (6), poucas horas depois de ser destituído pelo Senado em um processo de impeachment relacionado à crise financeira do Ueno Bank.
A decisão foi tomada após os parlamentares aprovarem a saída de Peña do cargo por 44 votos favoráveis. Com a destituição, o ex-mandatário perdeu as prerrogativas de imunidade associadas à condição de ex-presidente com mandato concluído normalmente.
A ordem de detenção integra uma investigação sobre suspeitas de gestão fraudulenta, lesão de confiança e possíveis irregularidades envolvendo recursos de correntistas e dinheiro público.
Crise bancária provocou queda do governo
A crise política ganhou força após o Banco Central do Paraguai intervir no Ueno Bank, instituição financeira que enfrentou problemas de solvência e teve suas operações colocadas sob administração das autoridades reguladoras.
O episódio atingiu aproximadamente 2,9 milhões de clientes, que enfrentaram restrições de acesso às próprias contas e aos depósitos. A situação provocou protestos e aumentou a pressão sobre o governo paraguaio.
A instituição também administrava centenas de milhões de dólares em recursos públicos, incluindo valores vinculados ao sistema de previdência e saúde do país.
Parlamentares acusaram Peña de favorecer o banco por meio de decisões políticas e regulatórias. O ex-presidente, por sua vez, negou irregularidades.
Ex-presidente ficará detido em sua residência
A determinação do Ministério Público estabelece que Santiago Peña permaneça em prisão domiciliar até ser apresentado às autoridades responsáveis pela investigação. Policiais compareceram à residência do ex-presidente, em Assunção, para cumprir a ordem judicial.
A investigação também alcança Carlos Carvallo, que comandou o Banco Central paraguaio e também teve sua detenção determinada.
As autoridades apuram possíveis crimes relacionados à administração dos recursos financeiros e à condução das operações envolvendo o Ueno Bank.
Vice-presidente assume o comando do país
Com a saída de Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai. Ele deverá concluir o mandato, previsto para terminar em agosto de 2028.
A destituição representa um dos episódios políticos mais relevantes da história recente do país. Desde o retorno da democracia, em 1989, apenas Fernando Lugo, em 2012, havia sido retirado da Presidência por meio de um processo de impeachment.
Investigação continua
O caso ainda terá novos desdobramentos na Justiça paraguaia. As autoridades deverão aprofundar as apurações sobre a relação entre o governo, a instituição financeira e os recursos públicos envolvidos na crise.
Enquanto isso, milhares de correntistas aguardam a recuperação dos valores que ficaram bloqueados após a intervenção no banco.
A crise também reacendeu o debate sobre fiscalização do sistema financeiro, transparência na administração pública e responsabilidade de autoridades diante de instituições privadas que recebem recursos estatais.










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