Ex-dono do Banco Master mantinha portfólio diversificado com predominância em renda fixa, aponta investigação
- Adilson Silva

- há 2 horas
- 2 min de leitura
Dados da Receita Federal encaminhados à CPI mista do INSS revelam que o banqueiro Daniel Vorcaro possuía um portfólio amplo de investimentos em diferentes instituições financeiras antes de ser preso preventivamente no âmbito das investigações sobre fraudes envolvendo o Banco Master.

Segundo os documentos, obtidos pela imprensa, bancos e corretoras declararam pagamentos de cerca de R$ 71,4 milhões em rendimentos ao empresário entre 2016 e 2024. Desse montante, aproximadamente R$ 11,7 milhões foram recolhidos em imposto de renda.
Os registros indicam que Vorcaro manteve aplicações em pelo menos 12 instituições financeiras durante o período analisado. A maior parcela dos rendimentos teve origem no próprio Banco Master, responsável por cerca de R$ 30,9 milhões pagos ao banqueiro. Na sequência aparecem a XP Inc., com cerca de R$ 13,9 milhões, e o BTG Pactual, com aproximadamente R$ 11,6 milhões.
A maior parte do portfólio estava concentrada em aplicações de renda fixa, que representaram cerca de 75% dos rendimentos totais, somando R$ 53,2 milhões. Além do Master, também aparecem pagamentos vindos de instituições como Banco Máxima, Bradesco e BTG Pactual.
Já os investimentos em renda variável corresponderam a cerca de R$ 11,7 milhões no período. Vorcaro também recebeu R$ 5,7 milhões provenientes de fundos de investimento, além de cerca de R$ 725 mil em planos de previdência privada e valores menores oriundos de títulos de capitalização.
Entre os fundos, havia aplicações ligadas aos setores imobiliário, elétrico e de infraestrutura. Apenas em 2024, por exemplo, ele recebeu cerca de R$ 386 mil de um fundo imobiliário e aproximadamente R$ 124 mil de um fundo de infraestrutura, ambos vinculados ao BTG.
Nos planos de previdência privada, os maiores pagamentos foram registrados pelo Bradesco e pelo Itaú Unibanco. Já os rendimentos com títulos de capitalização foram modestos, somando pouco mais de R$ 13 mil, principalmente em produtos do Bradesco.
Apesar da predominância de aplicações financeiras sofisticadas, o ex-banqueiro também mantinha recursos em contas de poupança. Ao final de 2024, havia cerca de R$ 596 mil depositados no Banco Safra e aproximadamente R$ 77 mil no Bradesco.
As investigações fazem parte de um desdobramento da operação Operação Compliance Zero, que levou à prisão preventiva de Vorcaro no início de março. A decisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
De acordo com a apuração da Polícia Federal, mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicariam um plano para simular um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, como forma de intimidação. As investigações também apontam a existência de um grupo informal apelidado de “A Turma”, que teria sido utilizado para pressionar adversários e desafetos.
O caso segue sob análise da CPI do INSS e de autoridades judiciais, enquanto novas informações continuam sendo incorporadas ao inquérito.







Comentários