Estudo indica que aprovação de Lula é a mais sensível à inflação e ao desemprego entre presidentes dos últimos 30 anos
- Adilson Silva

- há 2 horas
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Levantamento da MB Associados aponta que oscilações no custo de vida e no mercado de trabalho têm maior impacto sobre a popularidade do atual presidente do que sobre a de seus antecessores
Um estudo elaborado pelo economista Sergio Vale, da MB Associados, concluiu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresenta, em seu terceiro mandato, o maior grau de sensibilidade da aprovação popular às variações da inflação e do desemprego entre os presidentes brasileiros das últimas três décadas.

A pesquisa analisou a relação entre o chamado "índice da miséria" — indicador formado pela soma da inflação medida pelo IPCA e da taxa de desemprego — e os índices de aprovação presidencial registrados desde 1996. Foram avaliados os governos de Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Segundo o levantamento, cada aumento de um ponto percentual no índice da miséria pode provocar uma variação de aproximadamente 5,8 pontos percentuais na aprovação de Lula ao longo de um período de 12 meses. O impacto é significativamente superior ao registrado durante o governo de Jair Bolsonaro, cuja aprovação variava cerca de 1,4 ponto percentual nas mesmas condições.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que essa diferença está ligada ao perfil do eleitorado de cada presidente. Para parte dos analistas, Lula é associado por seus eleitores à melhora das condições econômicas, como geração de empregos, aumento da renda e fortalecimento de programas sociais. Já Bolsonaro teria uma base de apoio mais ideológica, menos influenciada por indicadores econômicos.
O estudo também mostra que a sensibilidade da aprovação presidencial foi de 2,2 pontos no governo Fernando Henrique Cardoso, de 3,7 pontos durante a gestão Michel Temer e de 4,3 pontos no período de Dilma Rousseff. Nos dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, essa variação era de 3,7 pontos percentuais.
Apesar da maior dependência do cenário econômico, o levantamento destaca que o atual índice da miséria está no menor patamar dos últimos 30 anos, favorecido pela queda do desemprego. Em contrapartida, a inflação continua sendo um fator de atenção, especialmente diante da possibilidade de novos aumentos de preços nos próximos meses.
De acordo com o estudo, caso o cenário econômico permaneça estável, a aprovação de Lula pode chegar ao período eleitoral entre 44% e 47%. Por outro lado, um agravamento da inflação, impulsionado por fatores externos, como oscilações no mercado internacional de petróleo, poderia reduzir esse índice para uma faixa entre 38% e 42%.
Os pesquisadores ressaltam, entretanto, que fatores econômicos não são os únicos determinantes da avaliação de um governo. Aspectos como comunicação política, confiança nas instituições, segurança pública, crédito, endividamento das famílias e a própria polarização eleitoral também exercem influência sobre a percepção dos eleitores.
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