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Escola Nacional Nego Bispo leva saberes quilombolas para a formação de professores em todo o país

Experiências ligadas à memória, oralidade, cultura e ancestralidade quilombola estão ganhando espaço na formação de professores e estudantes de licenciatura em diversas regiões do Brasil por meio do Programa Escola Nacional Nego Bispo de Saberes Tradicionais.


A iniciativa, criada pelo Ministério da Educação (MEC) e coordenada nacionalmente pelo Instituto Federal da Bahia (IFBA), busca aproximar o conhecimento acadêmico dos saberes tradicionais preservados pelas comunidades quilombolas.

Inspirado no legado do intelectual quilombola Antônio Bispo dos Santos, o programa apoia cem projetos de extensão em diferentes estados brasileiros, reconhecendo mestres e mestras de saberes tradicionais como protagonistas dos processos educativos.

Projetos valorizam memória e ancestralidade

No município de Baião, o projeto “Mulheres que Tecem Memórias: Narrativas Femininas Afro no Quilombo de Calados” promove atividades voltadas à preservação das histórias e experiências das mulheres quilombolas. A iniciativa utiliza rodas de conversa, registros orais e oficinas de fotografia, audiovisual e escrita para fortalecer a transmissão de conhecimentos entre gerações e criar acervos comunitários de memória.

Já em Várzea da Palma, o curso “Vozes da Ancestralidade: memórias e oralidades quilombolas” reúne educadores, estudantes e lideranças tradicionais para discutir a oralidade como ferramenta de produção e preservação do conhecimento. O projeto busca fortalecer a identidade cultural das comunidades e ampliar a participação de mestres quilombolas nos espaços de ensino.

Oralidade e cultura como ferramentas educativas

Em São Bento do Sapucaí, a iniciativa “Vozes do Quilombo: a oralidade que semeia memórias” transforma espaços comunitários em ambientes de aprendizagem. Congadas, cantos, histórias e manifestações culturais locais são utilizados como instrumentos pedagógicos para fortalecer a valorização da cultura quilombola e combater o apagamento histórico dessas narrativas.

No município de Paranã, o projeto “A reafirmação da identidade quilombola pelas batidas dos tambores e a dança da sussa” aposta nas tradições artísticas como forma de preservar a identidade cultural. Jovens da comunidade aprendem a confeccionar tambores, executar ritmos tradicionais e praticar a dança da sussa, elementos considerados fundamentais para a manutenção das manifestações culturais locais.

Investimento e fortalecimento da educação inclusiva

Lançado em 2025, o Programa Escola Nacional Nego Bispo tem investimento previsto de R$ 7,5 milhões até 2026. A iniciativa atua na formação de licenciandos, na capacitação continuada de professores da educação básica e no fortalecimento das relações entre instituições de ensino e comunidades tradicionais.

Os cursos são organizados em eixos voltados aos saberes afro-brasileiros, indígenas e quilombolas, abordando temas como artes e ofícios, memórias, oralidade, narrativas, línguas tradicionais e cosmociências. O objetivo é ampliar a presença desses conhecimentos nos processos educacionais e contribuir para práticas pedagógicas mais plurais e conectadas à diversidade cultural brasileira.

 
 
 

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