Embaixador avalia que argumentos do Brasil terão pouco peso em disputa tarifária com os EUA
- Adilson Silva

- há 11 horas
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As recentes propostas de aumento de tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros têm objetivos que vão além de uma simples negociação comercial entre os dois países. A avaliação é do embaixador Rubens Barbosa, que vê as medidas como parte de uma estratégia mais ampla do governo norte-americano para reforçar interesses econômicos e de segurança nacional.

Segundo o diplomata, as justificativas apresentadas pelo Brasil em processos anteriores dificilmente terão impacto significativo nas decisões em curso. Para ele, as investigações abertas pelas autoridades americanas seguem uma lógica que ultrapassa questões específicas envolvendo o comércio bilateral.
Barbosa argumenta que as novas tarifas surgem em um contexto marcado pela tentativa de substituir medidas anunciadas anteriormente pelo governo dos Estados Unidos. Em abril do ano passado, a administração do presidente Donald Trump havia imposto tarifas generalizadas sobre importações de diversos países, mas a iniciativa acabou sendo barrada pela Suprema Corte norte-americana, que considerou a medida incompatível com a legislação utilizada para justificá-la.
Após a decisão judicial, o governo americano adotou uma tarifa emergencial de 10% sobre produtos importados, válida temporariamente até julho deste ano. Paralelamente, foram abertas novas investigações comerciais que podem resultar em cobranças adicionais sobre determinados países, incluindo o Brasil.
Entre os processos em andamento estão uma investigação relacionada a supostas práticas comerciais consideradas desleais e outra voltada à apuração de possíveis casos de trabalho forçado em cadeias produtivas internacionais. Caso as propostas avancem, poderão resultar em novas tarifas sobre produtos brasileiros.
Na avaliação do ex-embaixador, a soma das tarifas discutidas atualmente pode alcançar patamares semelhantes aos previstos no pacote tarifário anteriormente invalidado pela Justiça dos Estados Unidos.
Ele também destaca que o Brasil não é o único alvo dessas iniciativas. Outros parceiros comerciais importantes dos EUA, como países da União Europeia, Reino Unido e Índia, também enfrentaram investigações comerciais ligadas a tributos aplicados sobre grandes empresas de tecnologia americanas.
As medidas utilizam mecanismos previstos na legislação comercial dos Estados Unidos, como a chamada Seção 301, que permite ao governo investigar e adotar sanções contra países acusados de manter práticas consideradas prejudiciais aos interesses econômicos norte-americanos.
Além do Brasil, diversas economias foram incluídas em investigações recentes conduzidas pelas autoridades comerciais dos EUA, em uma estratégia que busca enfrentar questões relacionadas à competitividade industrial e à influência da China no comércio global.
As consultas públicas sobre as propostas tarifárias seguem abertas até meados de julho, período em que governos, empresas e entidades poderão apresentar manifestações antes de uma decisão final das autoridades americanas.







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