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Dólar avança para R$ 5,06 e Bolsa registra forte queda com tensões internacionais e temor de tarifas

O mercado financeiro brasileiro encerrou esta quarta-feira (3) sob forte pressão, influenciado pelo agravamento das tensões no Oriente Médio e pelas novas ameaças tarifárias dos Estados Unidos contra o Brasil. O dólar fechou em alta de 1,11%, cotado a R$ 5,066, enquanto a Bolsa brasileira acumulou queda de 2,21%, encerrando o pregão aos 170.330 pontos.

A moeda norte-americana manteve trajetória de valorização ao longo de todo o dia, chegando a atingir a máxima de R$ 5,089 durante as negociações. O movimento refletiu a busca global dos investidores por ativos considerados mais seguros diante do aumento das incertezas geopolíticas.

Já o principal índice da Bolsa brasileira atingiu seu menor nível desde janeiro, acompanhando o desempenho negativo observado em importantes mercados internacionais.

Conflito no Oriente Médio amplia cautela dos investidores

A aversão ao risco ganhou força após novos episódios envolvendo Estados Unidos e Irã. Informações sobre ações militares entre os dois países elevaram as preocupações com uma possível ampliação do conflito na região, considerada estratégica para o abastecimento global de energia.

O cenário também impulsionou os preços do petróleo no mercado internacional. O barril do tipo Brent, referência mundial da commodity, registrou alta superior a 2% durante o dia, aproximando-se dos US$ 98.

Analistas avaliam que o prolongamento das tensões pode comprometer cadeias globais de suprimentos e afetar o fluxo de petróleo pelo Estreito de Hormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de energia no mundo.

O aumento dos preços da energia alimenta preocupações com a inflação global e pode influenciar decisões de bancos centrais, especialmente nos Estados Unidos, em relação à manutenção de juros elevados.

Tarifas dos EUA também pesam sobre o mercado

Além do cenário geopolítico, investidores monitoraram novos desdobramentos na política comercial dos Estados Unidos.

O governo do presidente Donald Trump propôs uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros em uma investigação relacionada ao combate ao trabalho forçado. A medida pode se somar a outra sobretaxa de 25% já discutida pelas autoridades americanas.

Caso ambas sejam implementadas, a carga tarifária sobre determinados produtos brasileiros poderá alcançar 37,5%.

A perspectiva de novas barreiras comerciais aumentou a preocupação dos investidores com possíveis impactos sobre empresas exportadoras e sobre o desempenho da economia brasileira.

Bolsas internacionais também encerram em queda

O clima de cautela não ficou restrito ao Brasil. Os principais índices acionários dos Estados Unidos fecharam no vermelho, com recuos observados no Nasdaq, S&P 500 e Dow Jones.

Na Europa, os mercados também registraram perdas, refletindo as preocupações com os desdobramentos da crise no Oriente Médio e seus efeitos sobre a economia global.

Especialistas apontam que, em momentos de incerteza, investidores tendem a migrar recursos para aplicações consideradas mais seguras, como títulos do governo americano, movimento que favorece a valorização do dólar e pressiona moedas de países emergentes, incluindo o real.

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