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Disputa pela presidência da Câmara de Salvador ganha força antes do previsto e remete a articulação de Geraldo Júnior em 2022

Embora a eleição para a presidência da Câmara Municipal de Salvador esteja oficialmente marcada apenas para 2027, o tema já passou a ocupar espaço nas conversas de bastidores e pode até ser antecipado.

Foto: Reginaldo Ipê/CMS/Arquivo
Foto: Reginaldo Ipê/CMS/Arquivo

A movimentação precoce lembra a estratégia adotada por Geraldo Júnior (MDB) em 2022, quando o então presidente da Casa acelerou o processo eleitoral interno.

O assunto ganhou corpo após circular a informação de que o atual presidente do Legislativo, vereador Carlos Muniz (PSDB), teria iniciado consultas a especialistas em direito sobre a possibilidade de disputar um terceiro mandato consecutivo no comando da Câmara.

Muniz chegou à presidência no biênio 2023–2024 após uma eleição antecipada promovida por Geraldo Júnior em março de 2022. Naquele momento, o movimento foi interpretado como um gesto de ruptura política do então presidente com o prefeito Bruno Reis e com o ex-prefeito ACM Neto, poucos dias antes de Geraldo se lançar candidato a vice-governador na chapa liderada pelo PT.

Apesar das articulações, a leitura predominante nos bastidores é de que Muniz encontrará um obstáculo jurídico relevante. O entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal (STF) impede a recondução para um terceiro mandato consecutivo nas mesas diretoras dos legislativos. Foi com base nessa interpretação que o STF afastou Adolfo Menezes (PSD) da presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, após ele vencer a eleição para um terceiro biênio seguido.

Aliados de Muniz, no entanto, afirmam que o objetivo do vereador é permanecer no comando da Câmara durante o processo sucessório municipal de 2028, o que explicaria a antecipação das discussões.

Caso a barreira jurídica se mantenha, a sucessão no Legislativo municipal começa a ser desenhada em torno de nomes próximos ao atual presidente. Entre os mais citados estão os vereadores Ricardo Almeida (DC), Sidninho (PP) e Maurício Trindade (PP), apontados como opções ligadas diretamente ao grupo de Muniz. Por enquanto, porém, o cenário é considerado embrionário, sem articulação política suficiente para garantir uma transição tranquila.

Do Executivo municipal, não há sinais de interferência até o momento. Segundo uma fonte ouvida, o prefeito Bruno Reis acompanha o desenrolar da situação “à distância”, sem entrar no jogo.

Mesmo assim, não se descarta totalmente a hipótese de antecipação da eleição, inclusive para o primeiro semestre deste ano. A possibilidade, porém, é vista como remota, já que decisões de tribunais superiores indicam que processos desse tipo só poderiam ocorrer a partir de outubro.

Os defensores de uma eventual nova recondução de Muniz sustentam que ele não teria sido eleito presidente de forma direta no primeiro mandato, já que integrava uma chapa escolhida em eleição antecipada realizada em 2022, quando ocupava a vice-presidência. Nessa interpretação, o primeiro mandato efetivo como presidente teria começado apenas em 2025, após sua reeleição como vereador.

Esse argumento, no entanto, enfrenta resistência. O contraponto é que a posse e o exercício integral do mandato no biênio 2023–2024 equivaleriam, na prática, a uma eleição regular, já que Muniz comandou plenamente a Câmara durante todo o período.

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