Câmara desembolsa ao menos R$ 279 milhões com aluguel de veículos, barcos e aeronaves em sete anos
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 4 min de leitura
Os gastos de deputados federais com a locação e o fretamento de veículos terrestres, embarcações e aeronaves somaram pelo menos R$ 279 milhões entre 2019 e 2025, segundo dados da própria Câmara dos Deputados.

O valor tende a crescer, já que as despesas referentes a 2025 ainda não foram totalmente lançadas no sistema de transparência.
O tema ganhou destaque recentemente após uma operação da Polícia Federal que investigou possíveis irregularidades no uso de recursos públicos pelos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), ambos suspeitos de uso indevido da verba parlamentar para aluguel de veículos.
De acordo com os registros oficiais, entre 2019 e 2024 — último ano com dados completos — houve um aumento real de aproximadamente 18% nesses gastos, já considerando o desconto da inflação medida pelo IPCA. Apenas em 2025, até o início desta semana, já constavam R$ 40,9 milhões em despesas lançadas, número considerado parcial.
As despesas são custeadas pela Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar, conhecida como “cotão”, destinada a cobrir custos como manutenção de escritórios políticos, passagens aéreas e serviços de transporte. O valor mensal disponível varia conforme o estado de origem do parlamentar, indo de R$ 36,6 mil, no caso do Distrito Federal, até R$ 51,4 mil, para deputados de Roraima.
Na atual legislatura, iniciada em 2023, o parlamentar que mais utilizou recursos para locações foi Éder Mauro (PL-PA), com R$ 883,5 mil registrados até o momento. Do total, R$ 540 mil foram destinados a embarcações e R$ 343,5 mil a veículos automotores.
Em nota, o deputado afirmou que utiliza o mesmo carro desde o início do mandato e que os valores pagos estão dentro dos preços praticados no mercado. Sobre o uso de barcos, destacou que o deslocamento fluvial é essencial no Pará, onde a maioria dos municípios depende dos rios como principal via de acesso.
O predomínio de gastos elevados na Região Norte se explica pela extensão territorial e pelas limitações de infraestrutura, fatores que tornam o transporte fluvial comum. Não por acaso, os quatro parlamentares que mais gastaram com esse tipo de locação atualmente são do Pará ou do Amazonas.
As investigações da PF apontam que uma empresa contratada para aluguel de veículos teria continuado recebendo recursos públicos mesmo após ter sido dissolvida de forma irregular. A polícia também identificou movimentações financeiras suspeitas envolvendo um assessor parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República identificou indícios de conluio entre assessores dos deputados investigados para dar aparência de legalidade às operações. Ambos os parlamentares negam irregularidades e afirmam ser vítimas de perseguição política.
Ex-chefe da PRF é detido no Paraguai ao tentar deixar o país rumo à América Central
O ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, foi preso na madrugada desta sexta-feira (26) no Aeroporto Internacional Silvio Pettirossi, em Assunção, no Paraguai. Ele tentava embarcar para El Salvador quando foi interceptado por autoridades locais.
A prisão foi confirmada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Conforme apurado, Silvinei havia rompido a tornozeleira eletrônica que utilizava em Santa Catarina e deixou o Brasil sem autorização judicial, após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Com a identificação da violação da medida cautelar, forças de segurança brasileiras acionaram alertas nas fronteiras e mobilizaram a adidância policial no Paraguai. Durante a abordagem no aeroporto, foi constatado que Silvinei portava um passaporte paraguaio verdadeiro, porém com dados incompatíveis com sua identidade.
Diante da irregularidade, ele foi detido e encaminhado às autoridades paraguaias, ficando à disposição do Ministério Público do país. A expectativa é que ele seja expulso do território paraguaio e entregue às autoridades brasileiras nos próximos dias.
O caso segue em apuração e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades.
Secretaria responsável por bets pede poder para requisitar servidores de outros órgãos
A Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, solicitou formalmente a edição de um ato normativo que permita ao órgão requisitar servidores públicos de outras áreas da administração federal. O pedido foi feito pelo secretário Regis Dudena à Secretaria-Executiva da pasta.
O setor é responsável, entre outras atribuições, pela regulamentação e fiscalização do mercado de apostas esportivas no Brasil, segmento que vem crescendo rapidamente. No início do mês, o Tribunal de Contas da União (TCU) concedeu prazo de 120 dias para que o Ministério da Fazenda estruture adequadamente a secretaria, garantindo recursos humanos, tecnológicos e orçamentários compatíveis com suas funções.
No documento enviado, Dudena afirma que o atendimento à determinação do TCU exige um plano abrangente, envolvendo outros ministérios e medidas de curto, médio e longo prazo. Entre elas, estão a ampliação do quadro de cargos, o aumento do número de servidores e até a análise da criação de uma carreira própria, voltada às competências técnicas específicas do setor regulatório.
Atualmente, a secretaria não possui servidores efetivos próprios, recorrendo à lotação de profissionais de carreiras transversais ou à cessão de funcionários de outros órgãos. Segundo Dudena, essas alternativas têm se mostrado insuficientes, tanto pela dificuldade de obter cessões quanto pela baixa adesão às lotações propostas.
Diante desse cenário, o secretário defende que a concessão de prerrogativa legal para requisitar servidores seria uma solução imediata para reforçar a força de trabalho. Ele argumenta que a medida se justifica pelo caráter recente da secretaria e pelo volume crescente e complexo de demandas do setor de apostas.
Procurado, o Ministério da Fazenda não informou quantos servidores atuam atualmente na Secretaria de Prêmios e Apostas, nem quando será enviada a proposta de ato normativo solicitada pelo secretario.







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