CPI do INSS amplia alcance com quebras de sigilo e aguarda dados decisivosPolítica
- Adilson Silva

- 22 de set.
- 2 min de leitura
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS deve ganhar fôlego nos próximos dias com a chegada de informações sigilosas referentes a 165 pessoas físicas e jurídicas. O material envolve extratos bancários, registros telefônicos, conversas em aplicativos de mensagem e relatórios de movimentações financeiras, e promete fortalecer as investigações após semanas marcadas por impasses e revisões.

O acesso a esses dados é aguardado tanto pela base governista quanto pela oposição. Enquanto adversários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enxergam a possibilidade de atingir figuras próximas ao chefe do Executivo, aliados acreditam que o material reforçará a narrativa de que o esquema de fraudes no INSS se intensificou durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e começou a ser enfrentado no atual governo.
Até o momento, os principais alvos são Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti, presos no dia 12 de setembro. Ambos são apontados como operadores de parte do esquema de descontos, mas não possuem relação direta conhecida com o presidente Lula. As defesas dos investigados negam irregularidades e contestam as prisões.
Nos bastidores, parlamentares avaliam que o conjunto de quebras de sigilo e a aprovação em bloco de convocações e convites para depoimentos consolidaram a força do presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e do relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Viana tem liberdade para definir o ritmo das oitivas, enquanto Gaspar será responsável por organizar o material e redigir o relatório final, que poderá sugerir indiciamentos ao Ministério Público.
A oposição concentra suas expectativas nos dados relativos ao Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos), que podem justificar a convocação de José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão de Lula e vice-presidente da entidade. Outro ponto de atenção é a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), historicamente ligada ao PT e também alvo de quebras de sigilo.
Apesar da estrutura de análise disponível, integrantes da comissão reconhecem que nem todo o volume de informações poderá ser examinado em profundidade. Ainda assim, a chegada desses documentos é vista como um divisor de águas para os rumos da investigação, que busca comprovar responsabilidades e desarticular o esquema de fraudes no INSS.







Comentários