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Comissão conclui que JK foi assassinado pela ditadura militar e não morreu em acidente, diz relatório

Um relatório da Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concluiu que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura militar em 1976, contrariando a versão oficial de que ele morreu em um acidente automobilístico na Via Dutra.

O documento, elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso na comissão, será analisado e votado pelos conselheiros do colegiado nas próximas semanas. A expectativa é de que o texto seja aprovado pela maioria dos integrantes.

A conclusão representa uma reviravolta histórica sobre a morte de JK, ocorrida em 22 de agosto de 1976, quando o Opala em que ele viajava colidiu com uma carreta após perder o controle na rodovia. O motorista e amigo do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, também morreu no episódio.

As investigações realizadas durante a ditadura apontaram que o carro teria sido atingido por um ônibus da Viação Cometa antes da colisão fatal. Essa versão foi posteriormente confirmada por uma comissão da Câmara dos Deputados, em 2001, e também pela Comissão Nacional da Verdade, em 2014.

O novo relatório da CEMDP, no entanto, sustenta que há fortes indícios de atentado político. O texto reúne estudos anteriores, incluindo investigações das Comissões da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, além de um inquérito civil do Ministério Público Federal concluído em 2019.

Uma das principais bases do documento é a perícia realizada pelo engenheiro Sergio Ejzenberg, especialista em transportes, que revisou laudos antigos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Segundo a análise, não houve colisão entre o ônibus e o carro de JK antes do acidente.

O relatório também destaca o contexto político da época. Cassado pela ditadura após o golpe de 1964, JK era uma das principais lideranças de oposição ao regime militar e integrava a Frente Ampla, movimento contrário aos militares. O texto menciona ainda a Operação Condor, articulação entre ditaduras sul-americanas para perseguir adversários políticos.

Caso o parecer seja aprovado, a comissão poderá recomendar a retificação da certidão de óbito de JK e de Geraldo Ribeiro para registrar que as mortes ocorreram em razão de perseguição política promovida pelo Estado brasileiro.

A relatora Maria Cecília Adão não comentou o conteúdo do documento por se tratar de matéria ainda em análise interna pela comissão.

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