Centrão mantém preferência por Tarcísio, e ala vê possibilidade de Flávio não manter candidatura
- Adilson Silva

- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Lideranças do centrão continuam vendo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome mais competitivo da direita para disputar a Presidência em 2026.

A percepção se manteve mesmo após Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar, na sexta-feira (5), que foi escolhido pelo pai como o “sucessor” político para a corrida ao Planalto.
Para dirigentes ouvidos reservadamente, Tarcísio reúne melhores condições eleitorais que o senador, além de maior potencial para aglutinar partidos como PL, PP, Republicanos, União Brasil e PSD numa chapa única contra a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Temor de fragmentação da direita
Caso Flávio insista na candidatura, líderes do centrão apontam risco de pulverização no campo conservador. Hoje, outros governadores — Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR) — são mencionados como possíveis concorrentes, cenário que reduziria as chances de uma união logo no primeiro turno.
Um dirigente afirmou, de forma reservada, que dificilmente o senador terá apoio integral da base de direita. Ele destaca que pesquisas recentes indicam desempenho superior de Tarcísio e que o sobrenome Bolsonaro, embora ainda mobilize bases fiéis, enfrenta índices elevados de rejeição.
Resistência de Tarcísio e dúvidas sobre Flávio
Aliados do governador de São Paulo dizem que ele reluta em entrar na disputa enquanto Lula mantém força competitiva e o bolsonarismo enfrenta divisões internas. Segundo essas fontes, Tarcísio só consideraria a candidatura se houvesse unidade total das siglas alinhadas à direita.
Nos bastidores, parte dos políticos recebeu com ceticismo o anúncio de Flávio, interpretando-o como estratégia para manter relevância do clã Bolsonaro enquanto o ex-presidente cumpre pena em regime fechado e permanece inelegível desde 2023.
O entendimento entre alguns parlamentares é que Flávio pode não levar a candidatura até o fim. Seu mandato no Senado termina justamente em 2026, o que elevaria o risco político caso a aposta eleitoral não avance.
Exposição antecipada e questões judiciais
Outro ponto citado por líderes partidários é que a indicação precoce do senador pode deixá-lo vulnerável a ataques e desgaste prolongado durante o período pré-eleitoral.
Flávio também carrega o histórico do caso das “rachadinhas”, cujas provas foram anuladas pelo STF em 2021, envolvendo o ex-assessor Fabrício Queiroz. Além disso, aliados afirmam que o senador se tornou alvo de investigações no âmbito conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, especialmente após convocar uma vigília que foi mencionada na ordem de prisão de Bolsonaro.
Centrão prega redução da polarização
Sem mencionar nomes, Antônio Rueda — presidente da federação que reúne União Brasil e PP — criticou a polarização e sinalizou oposição a uma candidatura da família Bolsonaro.
“Em 2026, não será a polarização que construirá o futuro, mas a capacidade de unir forças em torno de um projeto sério e responsável para o Brasil”, declarou.
Reações de aliados
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, manteve sua pré-candidatura e afirmou respeitar a decisão de Bolsonaro. “Sigo pré-candidato e convicto de que no próximo ano vamos tirar o PT do poder”, disse.
O entusiasmo com a candidatura de Flávio ficou restrito ao núcleo mais próximo do bolsonarismo. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) declarou apoio irrestrito ao “filho 01”, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que o movimento foi “orientado” pelo ex-presidente e reiterou alinhamento ao projeto político da família.







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