top of page

Banco Master recorreu a empresa de pequeno capital para estruturar esquema de fraude financeira.

Investigadores apontam que o Banco Master utilizou uma empresa com capital social reduzido para montar um esquema de fraudes baseado em operações com fundos de investimento. A companhia, chamada Brain Realty Consultoria e Participações, possuía capital de R$ 2 milhões e recebeu um empréstimo de quase R$ 500 milhões da instituição financeira.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

Segundo apuração, os recursos não foram empregados nas atividades da empresa, mas direcionados a fundos administrados pela Reag Asset Management, que teria papel central na estrutura usada para a chamada “ciranda financeira”. O esquema teria sido criado para desviar recursos por meio de operações artificiais envolvendo fundos multimercado.

Essa é a primeira vez que uma empresa específica é identificada publicamente como parte do mecanismo investigado. O nome da Brain Realty aparece em uma denúncia encaminhada pelo Banco Central ao Ministério Público Federal, conforme informações obtidas junto a investigadores do caso.

A Brain Realty tem como presidente Marisa Nassar, ex-funcionária da Reag. Procurada, ela afirmou que não poderia comentar o assunto e sugeriu que o contato fosse feito com Leonardo Donato, ex-executivo da gestora até 2023. Donato, que figura como administrador da Blum Capital Partners — empresa que detém participação na Reag —, informou que não irá se manifestar. O Banco Master também foi procurado, mas não respondeu.

Dados da Receita Federal mostram que o capital social da Brain Realty foi elevado de apenas R$ 100 para R$ 2,2 milhões em dezembro de 2023, poucos meses antes da liberação do empréstimo. A assembleia que aprovou o aumento foi presidida por João Carlos Mansur, fundador da Reag, que deixou a empresa após a Operação Carbono Oculto, investigação da Receita Federal sobre o uso de fundos ligados à organização criminosa PCC. Seis desses fundos também estão entre os alvos das apurações envolvendo o Banco Master.

O empréstimo de R$ 459 milhões foi repassado ao Brain Cash Fundo de Investimento Financeiro Multimercado, que tem como único cotista a própria Brain Realty e é administrado pela Reag. A operação teria ocorrido em 22 de abril de 2024. No mesmo dia, os recursos foram transferidos para outro fundo da gestora, o D Mais, cujo principal ativo eram certificados físicos de ações do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.

Esses papéis, conhecidos como cártulas, têm baixo valor de mercado, mas, segundo os investigadores, eram registrados nos fundos por preços artificialmente inflados. A prática teria servido para elevar o patrimônio dos fundos de forma fictícia e justificar novas aplicações e retiradas em outras estruturas financeiras.

A suspeita é que o dinheiro tenha circulado por diversos fundos até chegar a contas vinculadas a “laranjas” associados ao ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As fraudes com fundos fazem parte de um conjunto de denúncias do Banco Central ao Ministério Público Federal, que também apuram a revenda ao BRB de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos considerados inexistentes.

De acordo com os investigadores, pelo menos R$ 11,5 bilhões teriam sido lavados por meio desse esquema. Os recursos teriam sido captados pelo Master através da emissão de CDBs a investidores e usados para financiar empréstimos a empresas que, por sua vez, abasteciam os fundos envolvidos nas fraudes.

Como funcionava o esquema, segundo a investigação

O Banco Master concedia empréstimos a empresas formalmente independentes, mas integradas ao esquema.Essas empresas aplicavam os recursos em fundos administrados pela Reag.Nos registros oficiais, os empréstimos aparentavam respeitar os limites regulatórios exigidos pelo Banco Central.Os fundos adquiriam ativos de baixa liquidez por valores muito superiores ao real, inflando artificialmente o patrimônio.Os vendedores desses ativos obtinham ganhos elevados e reinvestiam os recursos em outros fundos.O dinheiro circulava por diversas estruturas financeiras até chegar a carteiras controladas por pessoas ligadas ao grupo do banco.

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
BANNER-MULTIVACINAÇÃO-728x90px---PMS.gif

© 2023 por Amaury Aquino e Design Digital

bottom of page