Banco Central apontou suspeitas em operação de Vorcaro antes da criação do banco Master
- Adilson Silva

- há 4 minutos
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Documentos do Banco Central do Brasil indicam que o empresário Daniel Vorcaro já utilizava uma estrutura financeira considerada suspeita durante a tentativa de aquisição do Banco Máxima, instituição que posteriormente daria origem ao banco Master.

De acordo com registros obtidos via Lei de Acesso à Informação, a operação analisada em 2019 levantou dúvidas entre técnicos do BC quanto à origem dos recursos utilizados na compra e na capitalização da instituição. A principal preocupação era a chamada “circularização” de recursos — prática em que valores transitam entre empresas ligadas ao mesmo controlador, sem aporte efetivo de capital externo.
Na ocasião, Vorcaro não conseguiu comprovar de forma clara a procedência dos recursos nem demonstrar capacidade financeira suficiente para assumir o controle do banco, o que levou à rejeição inicial do negócio.
A análise foi conduzida por Sidnei Corrêa Marques, então diretor da área responsável pela organização do sistema financeiro. Segundo o relatório, parte significativa dos valores utilizados na operação teria origem em empresas do próprio grupo econômico de Vorcaro, incluindo a Viking Participações, que registrou ganhos expressivos após reavaliações de ativos como imóveis e fundos.
Os técnicos também apontaram inconsistências nos critérios utilizados para valorizar esses ativos, o que levantou suspeitas sobre a real solidez financeira apresentada no processo.
Apesar da negativa inicial, a operação foi reestruturada meses depois. Com a entrada de novos sócios e a apresentação de um plano de negócios revisado, o Banco Central acabou aprovando a aquisição ainda em 2019. Na nova análise, o órgão considerou que os requisitos formais haviam sido atendidos, incluindo a comprovação de capacidade econômica por parte dos envolvidos.
O Banco Máxima enfrentava dificuldades financeiras na época e corria risco de liquidação. Especialistas avaliam que o adiamento da resolução do caso contribuiu para o aumento do impacto financeiro no sistema, especialmente no Fundo Garantidor de Créditos.
Atualmente, investigações envolvendo operações ligadas ao banco Master e seus desdobramentos seguem em andamento, incluindo apurações conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários.







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