Wagner antecipa definição de chapa e movimentação é vista como reação a possível articulação pró-Rui
- Adilson Silva

- há 1 dia
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Uma movimentação política nos bastidores do PT baiano ganhou novos contornos após o senador Jaques Wagner (PT) anunciar, de forma antecipada, a composição da chapa governista para a sucessão estadual.

A decisão, comunicada durante entrevista a uma emissora de rádio do interior, foi interpretada por interlocutores do partido como uma estratégia para barrar uma possível articulação que envolveria a substituição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), na disputa pelo Palácio de Ondina.
De acordo com fontes ligadas ao grupo governista, havia o receio de que, durante viagem oficial à Índia ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jerônimo pudesse ser convencido a abrir espaço para Rui assumir a cabeça de chapa. A inclusão do governador na comitiva presidencial teria acendido o alerta entre aliados de Wagner, que passaram a enxergar na agenda internacional um ambiente propício para a consolidação da mudança.
Ao anunciar previamente a formação da chapa — mantendo Geraldo Júnior (MDB) como vice — Wagner teria buscado consolidar o cenário e reduzir o espaço para eventuais alterações. A avaliação interna é que, uma vez publicizada a composição, qualquer tentativa de substituição se tornaria politicamente mais custosa.
Nos bastidores, o episódio reforçou a percepção de que a relação entre Wagner e Rui Costa segue marcada por tensões, apesar das declarações públicas de harmonia. Aliados apontam que o distanciamento político entre os dois teria se intensificado nos últimos meses, alimentado também por divergências no círculo mais próximo de ambos.
As especulações sobre uma eventual troca de candidato circulam desde o ano passado. Pesquisas internas teriam indicado um cenário desafiador para Jerônimo, com vantagem do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União Brasil), nas intenções de voto. Esses levantamentos, segundo relatos, teriam sido apresentados ao presidente Lula, aumentando a preocupação quanto aos reflexos da disputa baiana no cenário nacional.
Ainda conforme interlocutores, Rui Costa apareceria como o nome mais competitivo do grupo governista nas sondagens, o que teria fortalecido sua defesa como alternativa eleitoral em conversas em Brasília.
Outro movimento que chamou atenção foi a aproximação do ministro com o deputado federal Diego Coronel (PSD). A interlocução teria como objetivo adiar definições do senador Angelo Coronel (PSD), atualmente alinhado à oposição, sob o argumento de que o quadro político poderia sofrer alterações no campo governista.
Caso Rui assumisse a candidatura ao governo, abrir-se-ia a possibilidade de recomposição com Coronel, inclusive para uma eventual reconfiguração da disputa ao Senado ao lado de Wagner. O senador petista é apontado como peça central no afastamento de Coronel do grupo governista após decidir disputar a reeleição ao Senado, contrariando acordos anteriores.
No centro das movimentações está também a disputa por espaço e influência na condução do governo estadual. Um eventual retorno de Rui ao comando do Executivo poderia alterar o equilíbrio interno do grupo, atualmente sob maior influência de Wagner.
O episódio evidencia que, além da disputa externa contra a oposição, o grupo governista enfrenta desafios internos na definição de sua estratégia eleitoral para 2026.







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