Um ano após tentativa de venda ao BRB, caso Banco Master segue sem desfecho
- Adilson Silva

- há 1 dia
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A tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília completa um ano neste sábado (28) ainda cercada de dúvidas e sem esclarecimentos definitivos. O episódio é apontado como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

À época das negociações, o então controlador do banco, Daniel Vorcaro, mantinha planos ambiciosos de expansão no setor financeiro, mesmo diante de sinais de crise na instituição. Meses depois, ele acabaria preso pela Polícia Federal, e o banco seria liquidado pelo Banco Central do Brasil.
O anúncio da compra de 58% do Master pelo BRB, feito em março de 2025, surpreendeu o mercado. No entanto, a operação foi barrada em setembro do mesmo ano pelo Banco Central, após análise da situação financeira da instituição.
Criado a partir do antigo banco Máxima, o Master registrou crescimento acelerado entre 2019 e 2024, com forte captação de recursos via CDBs e aquisição de outras instituições financeiras. No período, seus ativos saltaram de bilhões para dezenas de bilhões de reais.
Apesar da expansão, o modelo de negócios passou a gerar desconfiança no mercado e nos órgãos reguladores. Investigações apontaram problemas em operações com empresas, fundos, precatórios e outros ativos considerados de maior risco.
Segundo apurações, o banco teria ocultado parte relevante de seus ativos em estruturas complexas de fundos, o que agravou a percepção de risco e contribuiu para a deterioração de sua credibilidade.
Com dificuldades para honrar compromissos financeiros, especialmente a rolagem de CDBs, o Master tentou alternativas para manter a liquidez, incluindo negociações com investidores e pedidos de apoio ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). As iniciativas, no entanto, não foram suficientes para reverter a crise.
A tentativa de venda ao BRB surgiu como uma possível saída, mas acabou frustrada após avaliação negativa do Banco Central. O caso passou então a ser investigado como um possível esquema de irregularidades financeiras de grande escala.
Relatos indicam que o impacto potencial do episódio pode ultrapassar R$ 60 bilhões, elevando a gravidade da situação e ampliando o interesse de autoridades e do mercado.
Mesmo após um ano do anúncio da operação, o caso segue em apuração e ainda levanta questionamentos sobre a atuação de reguladores, instituições financeiras e agentes envolvidos no episódio.







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