Trump anuncia tarifa global de 10% e critica decisão da Suprema Corte
- Adilson Silva

- há 24 horas
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “uma desgraça” a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que derrubou parte das tarifas de importação impostas por seu governo.

A declaração foi feita durante encontro com governadores nesta sexta-feira (20), segundo o jornal The New York Times.
Horas depois, em entrevista a jornalistas, Trump afirmou que a Corte não irá detê-lo e anunciou a imposição de uma tarifa global de 10% sobre todos os países, com base na chamada Seção 122 da legislação comercial americana, que permite a aplicação temporária de tarifas por até 150 dias.
“Temos alternativas. Ótimas alternativas”, disse o republicano, acrescentando que as novas taxas serão adicionais às já existentes.
Base legal contestada
A decisão da Suprema Corte, por 6 votos a 3, considerou irregular o uso da IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional), de 1977, para justificar a cobrança ampla de tarifas sem autorização explícita do Congresso.
O presidente da Corte, John Roberts, afirmou que o Executivo precisa apontar autorização clara do Congresso para exercer poder tarifário dessa magnitude. Segundo Roberts, a legislação invocada por Trump permite investigar e regular transações comerciais, mas não menciona explicitamente a imposição de tarifas.
Trump reagiu com críticas diretas aos magistrados. “Democratas na Corte estão contra tudo que faça a América mais forte”, afirmou, alegando que o tribunal teria sido influenciado por um movimento político.
Além da Seção 122, o presidente disse que recorrerá à Seção 301 — mecanismo que permite tarifas após investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais — e manterá medidas baseadas na Seção 232, voltada à proteção da segurança nacional, que já sustenta tarifas sobre aço, alumínio, madeira e automóveis.
Impacto econômico
A decisão judicial representa um revés para uma das principais bandeiras do segundo mandato de Trump. Estimativas do modelo econômico Penn-Wharton, a pedido da Reuters, indicam que os Estados Unidos podem ser obrigados a devolver cerca de US$ 175 bilhões arrecadados com as tarifas invalidadas.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, informou que o governo deve recorrer da decisão e que estuda formas de cobrir eventuais reembolsos.
Apesar da política tarifária, os indicadores econômicos mostram resultados modestos. O déficit comercial dos EUA recuou apenas 0,2% em 2025, para US$ 901,5 bilhões. No segmento de bens de consumo, o déficit atingiu recorde de US$ 1,24 trilhão. O emprego industrial caiu 83 mil postos entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, enquanto a inflação fechou 2025 em 2,9%.
Repercussões no Brasil
O Brasil acompanha com expectativa os desdobramentos. O país chegou a sofrer tarifas de até 50%, parcialmente reduzidas no fim do ano passado. Parte das exportações brasileiras ainda enfrenta sobretaxa de 40%, que atualmente incide sobre cerca de 22% da pauta exportadora aos EUA.
O tema deve integrar a agenda de um encontro previsto entre o presidente Luiz Inacio Lula da Silva e Trump, ainda sem data definida.
O vice-presidente Geraldo Alckmin demonstrou otimismo recente quanto à relação bilateral, defendendo a eliminação das sobretaxas. “Não há razão para ter um tarifaço”, afirmou.
Mesmo com as promessas de Trump de distribuir US$ 2.000 a cada americano com recursos provenientes das tarifas, a proposta ainda não foi aprovada pelo Congresso.







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