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Rogério Marinho diz que Bolsonaro está sereno, mas critica possível cassação de patente militar

Após visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, nesta quarta-feira (4), o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que Bolsonaro mantém tranquilidade diante do processo que tramita no Superior Tribunal Militar (STM), mas considera injusta a possibilidade de perda de sua patente de capitão do Exército.

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo

Segundo Marinho, o procedimento no âmbito militar é visto como secundário pelo ex-presidente, embora gere inconformismo. Para o senador, a medida faz parte de uma estratégia mais ampla de punição política. “Existe um sentimento claro de injustiça. Não se trata apenas de privar a liberdade, mas de tentar apagar uma trajetória profissional construída ao longo da vida militar”, afirmou.

De acordo com o parlamentar, Bolsonaro evita tratar diretamente do tema e acredita que decisões judiciais poderão ser revistas no futuro. Marinho disse ainda que a oposição aposta em mudanças no cenário político após as eleições, quando, segundo ele, eventuais medidas de reparação poderão ser adotadas.

As declarações foram dadas após a visita ao ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por envolvimento na tentativa de ruptura institucional. Nesta quarta-feira, Bolsonaro completou seis meses detido. A defesa segue tentando o retorno à prisão domiciliar, revogada depois que ele violou a tornozeleira eletrônica em novembro do ano passado.

Na terça-feira (3), o STM recebeu representações que pedem a perda de patente de Bolsonaro e de outros militares da reserva, entre eles os generais Augusto Heleno, Walter Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, além do almirante Almir Garnier. Todos foram condenados por participação no núcleo central da articulação golpista.

Nos bastidores, a expectativa é de que o ex-presidente seja condenado também na esfera militar. O Ministério Público Militar sustenta que houve violação grave aos princípios éticos das Forças Armadas, apontando descumprimento de deveres fundamentais da carreira.

Durante a conversa com jornalistas, Rogério Marinho também negou qualquer possibilidade de integrar uma eventual chapa presidencial como vice do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo ele, essa hipótese está descartada.

O líder oposicionista afirmou que o foco do PL é ampliar alianças para fortalecer a candidatura do senador ao Palácio do Planalto. “A construção será feita com diálogo ao longo dos próximos meses, buscando agregar outros partidos para ampliar o tempo de propaganda e a base política”, disse, sem citar nomes para a vice.

Apesar de o centrão já ter sinalizado que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não disputará a Presidência, o grupo ainda não formalizou apoio à eventual candidatura de Flávio Bolsonaro.

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