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Programa nuclear da Marinha assume liderança nos investimentos militares do Brasil

23 de ago.
8 min de leitura

O programa nuclear da Marinha recebeu um forte aumento de recursos em 2025 e, pela primeira vez em anos, apareceu no topo do ranking de investimentos militares brasileiros. Os valores destinados ao projeto chegaram a cerca de R$ 1,4 bilhão, aproximadamente 4,5 vezes o montante registrado no ano anterior, segundo dados da execução orçamentária corrigidos pela inflação.

Com esse resultado, o programa empatou em investimentos com o sistema de controle do tráfego aéreo, que também possui aplicações civis.

Projeto do Gripen perde espaço

O programa de desenvolvimento dos caças Gripen, que liderava os investimentos militares desde 2016, caiu para a quarta posição.

Em 2025, foram pagos cerca de R$ 965 milhões para o projeto dos aviões suecos, abaixo dos aproximadamente R$ 1,6 bilhão registrados em 2024.

A entrega das aeronaves também está atrasada em relação ao cronograma original. O acordo previa que os 36 caças contratados estariam em operação até 2024, incluindo as unidades produzidas no Brasil. Até agora, 11 foram entregues, e a previsão atual é de que o último avião seja recebido somente em 2032.

O governo ainda anunciou negociações para adquirir outros 20 caças, mas a fonte dos recursos para uma eventual ampliação do contrato ainda precisa ser definida.

Recursos sustentam desenvolvimento do submarino nuclear

Apesar de a rubrica orçamentária estar relacionada ao desenvolvimento tecnológico, os investimentos no programa nuclear da Marinha estão diretamente ligados à construção do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto.

De acordo com a Marinha, os recursos são utilizados em diferentes frentes, incluindo o domínio do ciclo do combustível nuclear, a implantação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica e o desenvolvimento do reator que será utilizado no submarino.

Do total aplicado no programa, aproximadamente R$ 953 milhões foram destinados a empresas contratadas, principalmente para serviços de engenharia.

Uma das etapas mais complexas ainda está pela frente: a integração do reator nuclear ao casco da embarcação.

Programa começou na década de 1970

O projeto nuclear da Marinha teve início em 1979 e passou por diferentes fases ao longo das últimas décadas. Um dos principais resultados foi o desenvolvimento de tecnologia nacional para enriquecimento de urânio por meio de ultracentrífugas.

A tecnologia levou o Brasil a enfrentar discussões com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre os procedimentos de inspeção e acompanhamento das atividades nucleares.

Durante o regime militar, o programa esteve associado a esforços que incluíam a possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares. O Brasil abandonou essa intenção em 1990 e, posteriormente, aderiu ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Lula defende avanço do programa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a demonstrar apoio ao projeto nuclear da Marinha.

Em julho, durante visita à fábrica da indústria bélica Avibrás, o presidente defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de defesa diante do cenário internacional.

Lula também criticou o fato de países que já possuem arsenais nucleares não terem reduzido seus estoques de maneira significativa, enquanto outras nações passaram a integrar o grupo de países com armas nucleares.

Nesta semana, durante visita ao centro nuclear da Marinha em Iperó (SP), o presidente voltou a destacar a importância do submarino nuclear para o país.

Submarino ainda deve levar mais de uma década

O projeto específico do submarino nuclear recebeu cerca de R$ 649 milhões em 2025, valor que o colocou na sétima posição entre os programas militares analisados. Outros R$ 582 milhões foram destinados às obras relacionadas aos estaleiros.

A previsão atual é que o Álvaro Alberto entre em operação somente em 2038, 13 anos depois da previsão estabelecida no projeto original.

Antes da etapa nuclear, o Brasil avançou na construção de quatro submarinos convencionais de projeto francês. O programa recebeu aproximadamente R$ 461 milhões em 2025, e a última unidade foi lançada ao mar para testes.

Os dois projetos fazem parte do acordo de cooperação militar firmado entre Brasil e França em 2008.

AIEA acompanha desenvolvimento

O avanço do submarino nuclear também depende de questões técnicas e diplomáticas. O combustível que será utilizado pela embarcação precisará passar por procedimentos de fiscalização e aprovação da AIEA.

A agência internacional acompanha o programa para evitar a utilização indevida de material nuclear e garantir que as atividades brasileiras estejam de acordo com os compromissos internacionais assumidos pelo país.

Além disso, há discussões sobre o nível de inspeção que deverá ser adotado. Representantes militares brasileiros avaliam, sob reserva, que países com capacidade nuclear exercem pressão para ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o programa brasileiro.

O aumento dos investimentos na área nuclear ocorre justamente em uma fase considerada decisiva para superar obstáculos técnicos e financeiros do projeto.

Maior parte do orçamento militar vai para pessoal

Apesar do destaque obtido pelo programa nuclear, os investimentos representam uma parcela pequena do orçamento total da Defesa.

Em 2025, aproximadamente 8,25% dos R$ 133,3 bilhões gastos pelas Forças Armadas foram destinados a investimentos. Cerca de 77,7% dos recursos foram empregados em despesas com pessoal, enquanto outros 14,05% ficaram para custeio.

Os números foram corrigidos pelo IPCA até julho e levantados a partir do sistema Siga Brasil, utilizado para acompanhar a execução dos gastos públicos federais.

O levantamento não considera o programa das fragatas da classe Tamandaré, atualmente um dos maiores projetos militares em andamento no país.

Fragatas são financiadas fora do orçamento da Defesa

O programa das fragatas é conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), estatal vinculada à Marinha. A estrutura de financiamento foi criada durante o governo Michel Temer para permitir que o projeto ficasse fora do então teto de gastos.

Até 2025, o programa havia consumido aproximadamente R$ 9,6 bilhões, com três navios já concluídos.

No ano passado, outros R$ 2,4 bilhões foram destinados às fragatas. Como os recursos são contabilizados nas despesas da estatal, e não diretamente no orçamento do Ministério da Defesa, eles não aparecem no ranking de investimentos militares utilizado no levantamento.

O Tribunal de Contas da União questionou o modelo de financiamento, mas a estrutura acabou sendo mantida.O programa nuclear da Marinha recebeu um forte aumento de recursos em 2025 e, pela primeira vez em anos, apareceu no topo do ranking de investimentos militares brasileiros. Os valores destinados ao projeto chegaram a cerca de R$ 1,4 bilhão, aproximadamente 4,5 vezes o montante registrado no ano anterior, segundo dados da execução orçamentária corrigidos pela inflação.

Com esse resultado, o programa empatou em investimentos com o sistema de controle do tráfego aéreo, que também possui aplicações civis.

Projeto do Gripen perde espaço

O programa de desenvolvimento dos caças Gripen, que liderava os investimentos militares desde 2016, caiu para a quarta posição.

Em 2025, foram pagos cerca de R$ 965 milhões para o projeto dos aviões suecos, abaixo dos aproximadamente R$ 1,6 bilhão registrados em 2024.

A entrega das aeronaves também está atrasada em relação ao cronograma original. O acordo previa que os 36 caças contratados estariam em operação até 2024, incluindo as unidades produzidas no Brasil. Até agora, 11 foram entregues, e a previsão atual é de que o último avião seja recebido somente em 2032.

O governo ainda anunciou negociações para adquirir outros 20 caças, mas a fonte dos recursos para uma eventual ampliação do contrato ainda precisa ser definida.

Recursos sustentam desenvolvimento do submarino nuclear

Apesar de a rubrica orçamentária estar relacionada ao desenvolvimento tecnológico, os investimentos no programa nuclear da Marinha estão diretamente ligados à construção do primeiro submarino brasileiro de propulsão nuclear, o Álvaro Alberto.

De acordo com a Marinha, os recursos são utilizados em diferentes frentes, incluindo o domínio do ciclo do combustível nuclear, a implantação do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica e o desenvolvimento do reator que será utilizado no submarino.

Do total aplicado no programa, aproximadamente R$ 953 milhões foram destinados a empresas contratadas, principalmente para serviços de engenharia.

Uma das etapas mais complexas ainda está pela frente: a integração do reator nuclear ao casco da embarcação.

Programa começou na década de 1970

O projeto nuclear da Marinha teve início em 1979 e passou por diferentes fases ao longo das últimas décadas. Um dos principais resultados foi o desenvolvimento de tecnologia nacional para enriquecimento de urânio por meio de ultracentrífugas.

A tecnologia levou o Brasil a enfrentar discussões com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sobre os procedimentos de inspeção e acompanhamento das atividades nucleares.

Durante o regime militar, o programa esteve associado a esforços que incluíam a possibilidade de desenvolvimento de armas nucleares. O Brasil abandonou essa intenção em 1990 e, posteriormente, aderiu ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP).

Lula defende avanço do programa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a demonstrar apoio ao projeto nuclear da Marinha.

Em julho, durante visita à fábrica da indústria bélica Avibrás, o presidente defendeu que o Brasil amplie sua capacidade de defesa diante do cenário internacional.

Lula também criticou o fato de países que já possuem arsenais nucleares não terem reduzido seus estoques de maneira significativa, enquanto outras nações passaram a integrar o grupo de países com armas nucleares.

Nesta semana, durante visita ao centro nuclear da Marinha em Iperó (SP), o presidente voltou a destacar a importância do submarino nuclear para o país.

Submarino ainda deve levar mais de uma década

O projeto específico do submarino nuclear recebeu cerca de R$ 649 milhões em 2025, valor que o colocou na sétima posição entre os programas militares analisados. Outros R$ 582 milhões foram destinados às obras relacionadas aos estaleiros.

A previsão atual é que o Álvaro Alberto entre em operação somente em 2038, 13 anos depois da previsão estabelecida no projeto original.

Antes da etapa nuclear, o Brasil avançou na construção de quatro submarinos convencionais de projeto francês. O programa recebeu aproximadamente R$ 461 milhões em 2025, e a última unidade foi lançada ao mar para testes.

Os dois projetos fazem parte do acordo de cooperação militar firmado entre Brasil e França em 2008.

AIEA acompanha desenvolvimento

O avanço do submarino nuclear também depende de questões técnicas e diplomáticas. O combustível que será utilizado pela embarcação precisará passar por procedimentos de fiscalização e aprovação da AIEA.

A agência internacional acompanha o programa para evitar a utilização indevida de material nuclear e garantir que as atividades brasileiras estejam de acordo com os compromissos internacionais assumidos pelo país.

Além disso, há discussões sobre o nível de inspeção que deverá ser adotado. Representantes militares brasileiros avaliam, sob reserva, que países com capacidade nuclear exercem pressão para ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o programa brasileiro.

O aumento dos investimentos na área nuclear ocorre justamente em uma fase considerada decisiva para superar obstáculos técnicos e financeiros do projeto.

Maior parte do orçamento militar vai para pessoal

Apesar do destaque obtido pelo programa nuclear, os investimentos representam uma parcela pequena do orçamento total da Defesa.

Em 2025, aproximadamente 8,25% dos R$ 133,3 bilhões gastos pelas Forças Armadas foram destinados a investimentos. Cerca de 77,7% dos recursos foram empregados em despesas com pessoal, enquanto outros 14,05% ficaram para custeio.

Os números foram corrigidos pelo IPCA até julho e levantados a partir do sistema Siga Brasil, utilizado para acompanhar a execução dos gastos públicos federais.

O levantamento não considera o programa das fragatas da classe Tamandaré, atualmente um dos maiores projetos militares em andamento no país.

Fragatas são financiadas fora do orçamento da Defesa

O programa das fragatas é conduzido pela Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), estatal vinculada à Marinha. A estrutura de financiamento foi criada durante o governo Michel Temer para permitir que o projeto ficasse fora do então teto de gastos.

Até 2025, o programa havia consumido aproximadamente R$ 9,6 bilhões, com três navios já concluídos.

No ano passado, outros R$ 2,4 bilhões foram destinados às fragatas. Como os recursos são contabilizados nas despesas da estatal, e não diretamente no orçamento do Ministério da Defesa, eles não aparecem no ranking de investimentos militares utilizado no levantamento.

O Tribunal de Contas da União questionou o modelo de financiamento, mas a estrutura acabou sendo mantida.

 
 
 

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