Produtora de filme sobre Bolsonaro tem ligação com emendas parlamentares e contrato milionário em SP
- Adilson Silva

- há 13 horas
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O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro afirmou que o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro seria financiado com “zero dinheiro público”. Apesar disso, a produtora responsável pelo longa possui vínculos com organizações que receberam emendas parlamentares e contratos da Prefeitura de São Paulo.

O longa “Dark Horse” (“Azarão”) é produzido pela Go Up, empresa que tem como sócia-administradora Karina Gama. Ela também dirige outras instituições da área cultural que foram beneficiadas por recursos públicos destinados por parlamentares ligados ao PL, entre eles Mario Frias.
Entre as entidades comandadas por Karina está o Instituto Conhecer Brasil, que assinou um termo de colaboração com a Prefeitura de São Paulo para implantação de internet wi-fi em comunidades carentes. O contrato prevê repasses de R$ 108 milhões e foi firmado durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes.
Karina Gama afirma que o filme sobre Bolsonaro não recebeu qualquer verba pública ou privada nacional. Segundo ela, a produção é bancada exclusivamente por investidores estrangeiros, cujos nomes não podem ser divulgados por cláusulas de confidencialidade. A empresária também negou que o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, tenha feito aportes ao projeto.
A Prefeitura de São Paulo declarou que a contratação do Instituto Conhecer Brasil ocorreu por meio de chamamento público regular e transparente. De acordo com a administração municipal, mais de 3 mil pontos de wi-fi já foram instalados e o restante deverá ser concluído em 2026.
Além da Go Up, Karina Gama aparece ligada a outras empresas do setor cultural. Dados da Receita Federal mostram que elas compartilham o mesmo endereço e telefone comercial. O local, porém, funciona como escritório virtual administrado pela Gowork. A produtora afirma que toda a documentação está regularizada.
O Instituto Conhecer Brasil também recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas por Mario Frias para projetos de letramento digital e incentivo ao esporte. O deputado afirma que os recursos foram aplicados em iniciativas sociais e não possuem relação com o filme.
Outra organização presidida por Karina, a ANC (Academia Nacional de Cultura), foi beneficiada com R$ 2,6 milhões em emendas apresentadas pelos deputados Marcos Pollon, Bia Kicis, Carla Zambelli e Alexandre Ramagem.
Os valores seriam destinados à produção de uma série sobre heróis nacionais. O governo de São Paulo, comandado por Tarcísio de Freitas, informou que os recursos seguem sem execução devido a pendências técnicas e documentais.
As movimentações envolvendo as organizações ligadas a Karina motivaram uma representação apresentada ao STF pela deputada Tabata Amaral, que questiona os repasses públicos feitos às entidades.
O filme “Dark Horse” já teve as gravações concluídas em São Paulo e ainda não possui data oficial de estreia. A produção conta com o ator americano Jim Caviezel, conhecido pelo filme The Passion of the Christ, interpretando Jair Bolsonaro. A direção é assinada por Cyrus Nowrasteh.







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