Prefeito de Itabuna articula apoio aos produtores diante da importação de cacau africano
- Adilson Silva

- 27 de jan.
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O prefeito de Itabuna, Augusto Castro (PSD), passou a atuar em conjunto com lideranças da cadeia produtiva do cacau para enfrentar os impactos da queda no preço do produto e da recente importação de cerca de 10 mil toneladas de amêndoas vindas de países africanos.

A medida, adotada por indústrias processadoras instaladas em Ilhéus, tem gerado preocupação no sul da Bahia, onde a lavoura cacaueira é a principal base econômica.
O cenário se agravou após a publicação da Instrução Normativa nº 125, de 2021, do Ministério da Agricultura, que define as regras para a importação de cacau. Segundo produtores e autoridades locais, a norma flexibilizou excessivamente os critérios de defesa fitossanitária, permitindo a entrada do produto estrangeiro com exigências técnicas consideradas insuficientes.
Para Augusto Castro, a aplicação da normativa representa um risco concreto à produção regional. Ele alerta para a possibilidade de introdução de pragas e doenças ainda inexistentes no país, o que poderia comprometer a lavoura baiana e a cacauicultura nacional como um todo.
O prefeito também questionou o argumento recorrente das indústrias moageiras, que alegam insuficiência de cacau nacional para atender à demanda. Segundo ele, os produtores convivem com dificuldades estruturais, como a falta de assistência técnica, extensão rural e acesso a crédito, mesmo mantendo esforços constantes para aprimorar a genética das plantações e incorporar novas tecnologias.
Além de manifestar apoio aos cacauicultores, Augusto Castro aderiu às mobilizações lideradas pela Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb). Ele defende ainda a participação ativa da Associação dos Municípios do Sul, Extremo Sul e Sudoeste Baiano (Amurc) e dos consórcios públicos regionais, como o CDS Litoral Sul e o Consórcio Intermunicipal da Mata Atlântica (Cima).
A articulação busca pressionar o governo federal a rever os critérios aplicados à importação de amêndoas de cacau, com a retomada de exigências sanitárias mais rigorosas. O objetivo é proteger o setor produtivo, considerado o elo mais frágil da cadeia do cacau.
Nos últimos anos, o mercado internacional do produto apresentou forte instabilidade. Em 2024, os preços alcançaram níveis recordes, mas recuaram posteriormente devido ao aumento da oferta na Costa do Marfim e a fatores técnicos do mercado global.
Na Bahia, os produtores lidaram simultaneamente com a entrada do cacau africano e com oscilações nos preços, enquanto surgiam oportunidades pontuais por meio de programas voltados à agricultura familiar.
Ao final, o prefeito defendeu a mobilização conjunta do setor. Segundo ele, é fundamental que produtores, municípios e entidades representativas sejam ouvidos por deputados federais, senadores, pela Frente Parlamentar da Agropecuária e pelo governo federal, em defesa da sanidade da lavoura e da retomada da principal atividade econômica do sul baiano.







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