Podemos caminha para neutralidade após disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro por apoio da legenda
- Adilson Silva

- há 4 dias
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O Podemos deve adotar uma posição de neutralidade na disputa presidencial deste ano, apesar das tentativas de aproximação feitas por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A definição oficial deverá ser anunciada pela Executiva Nacional da legenda até a próxima quarta-feira (5).

Durante a convenção partidária realizada nesta quinta-feira (30), o partido delegou à direção nacional a responsabilidade de decidir sobre o posicionamento eleitoral, mantendo em aberto a possibilidade de alianças, embora a neutralidade seja considerada a alternativa mais provável.
Nos bastidores, representantes da campanha de Flávio Bolsonaro seguem tentando convencer a legenda a integrar sua coligação. O objetivo é ampliar o tempo de propaganda no rádio e na televisão, além de fortalecer a base de apoio para a disputa presidencial.
Ao mesmo tempo, integrantes do governo federal também atuaram para que o Podemos permanecesse sem apoiar nenhum candidato. Segundo interlocutores, ministros e dirigentes do PT mantiveram conversas com a cúpula da legenda, defendendo que a neutralidade seria o caminho mais adequado neste momento.
Ainda de acordo com informações de bastidores, aliados do presidente Lula avaliam que um eventual governo poderia contar com a participação do Podemos, dependendo da composição da bancada eleita pelo partido para a Câmara dos Deputados.
Pelo lado do PL, uma das estratégias apresentadas teria sido a possibilidade de compartilhamento de recursos do fundo eleitoral com partidos aliados. O próprio Flávio Bolsonaro se reuniu nesta sexta-feira (31), em São Paulo, com a presidente nacional do Podemos, deputada Renata Abreu, em encontro articulado pelo prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Apesar da conversa, integrantes da legenda afirmam que a tendência continua sendo a manutenção da neutralidade.
Nas últimas semanas, o Podemos também foi procurado pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que chegou a oferecer a vaga de vice em sua chapa presidencial para um nome do partido. As negociações, no entanto, não avançaram.
Internamente, dirigentes avaliam que uma posição independente pode favorecer o desempenho eleitoral da legenda. Atualmente, o Podemos conta com 27 deputados federais e trabalha para ampliar sua representação na Câmara nas eleições deste ano, objetivo que, segundo lideranças partidárias, pode ser alcançado sem a necessidade de vinculação direta a uma candidatura presidencial.
Caso a neutralidade seja confirmada, o cenário tende a beneficiar indiretamente o governo federal, já que impede o fortalecimento da coligação de Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa pelo Palácio do Planalto, reduzindo suas possibilidades de ampliar o tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita.









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