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PGR rejeita proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro

A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu rejeitar a proposta de acordo de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro, empresário e ex-controlador do Banco Master. A manifestação foi encaminhada nesta segunda-feira (15) ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, responsável pela relatoria do caso.

A negativa ocorre poucos dias após a Polícia Federal também descartar, pela segunda vez, uma tentativa de acordo apresentada pela defesa de Vorcaro. Segundo informações do processo, os órgãos de investigação avaliaram que a proposta não trouxe elementos inéditos capazes de justificar a celebração da colaboração.

Entre os pontos levantados pela PGR está a ausência de provas concretas que sustentem os relatos apresentados. O entendimento é de que boa parte das informações fornecidas se basearia em declarações sem comprovação documental, além da falta de compromisso efetivo com a restituição de recursos apontados nas investigações.

O órgão chefiado por Paulo Gonet já demonstrava cautela nas negociações e considerava indispensável a apresentação de documentos que confirmassem os fatos narrados pelo ex-banqueiro.

O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado, quando foi nomeado um interventor para conduzir o processo. Desde então, as autoridades apuram supostas irregularidades envolvendo a instituição financeira.

A defesa de Vorcaro apresentou duas versões distintas da proposta de colaboração. A primeira foi rejeitada pela Polícia Federal em maio, sob o argumento de que as informações eram insuficientes para justificar o acordo. Apesar disso, as conversas seguiram com a PGR.

Posteriormente, uma nova versão foi protocolada no início deste mês, mas também não convenceu os investigadores, que mantiveram o entendimento de que os elementos apresentados não atendiam aos requisitos exigidos para a formalização da delação.

As investigações apontam suspeitas de desvios bilionários relacionados ao Banco Master. Durante as negociações, PF e PGR buscavam mecanismos para garantir o ressarcimento de aproximadamente R$ 60 bilhões que teriam sido desviados por meio de fraudes.

Apesar da nova negativa, a possibilidade de um futuro acordo não está descartada. A legislação permite que o investigado apresente novas propostas de colaboração, desde que tragam informações relevantes e devidamente comprovadas.

Atualmente, Daniel Vorcaro permanece custodiado na Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. No entanto, sua permanência no local poderá ser reavaliada, cabendo ao STF decidir sobre eventual transferência para uma unidade do sistema penitenciário federal.

A PGR também se manifestou contra o pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa. No parecer, o procurador-geral ressaltou que a prisão foi determinada pelo Supremo e que cabe à Corte definir o local mais adequado para o cumprimento da medida, levando em consideração os riscos apontados pelas autoridades.

 
 
 

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