PF aponta envolvimento de Bolsonaro e Mauro Cid em distribuição de medicamento proibido na pandemia
- Adilson Silva

- 27 de ago. de 2025
- 2 min de leitura
quarta-feira, 27/08/2025 – 14h00Por Redação
A Polícia Federal identificou a participação do ex-presidente Jair Bolsonaro e do tenente-coronel Mauro Cid, seu então ajudante de ordens, na distribuição irregular da proxalutamida durante a pandemia de covid-19. O medicamento, sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e em fase experimental para tratamento de câncer, foi defendido por grupos bolsonaristas como alternativa contra a doença, sem qualquer comprovação científica.

Mensagens extraídas do celular de Mauro Cid, datadas de 2021, mostram que o militar recebia remessas do fármaco e consultava diretamente Bolsonaro sobre o envio a aliados.
Em junho daquele ano, Cid chegou a sugerir o encaminhamento do medicamento ao pastor R. R. Soares, internado com covid. Após contato com o presidente, o remédio foi entregue. Em outras ocasiões, Bolsonaro autorizou novos envios a pessoas próximas, de acordo com os registros analisados pela PF.
As conversas também citam o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (PL-RJ), que, já fora da pasta, pediu a Bolsonaro que mencionasse a proxalutamida em uma transmissão ao vivo. Em diálogos com Cid, o general chegou a solicitar um “pacote” do remédio e recebeu uma foto com 280 comprimidos, além de propor um suposto “protocolo” para uso.
A Anvisa reforça que nunca autorizou o uso da substância no Brasil, limitando-se apenas a liberar estudos clínicos, que foram posteriormente suspensos devido a irregularidades, como a importação acima do permitido e o desvio de parte das cargas.
O Ministério Público Federal já abriu inquérito sobre o caso, ainda em andamento. Para investigadores da PF, a distribuição de um medicamento sem registro pode configurar crime previsto no artigo 273 do Código Penal, com pena de 10 a 15 anos de prisão.







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