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Mudanças de domicílio eleitoral redesenham disputas e geram tensões políticas nos estados

A poucos meses das eleições, ao menos dez lideranças políticas decidiram alterar seus domicílios eleitorais para disputar cargos em estados diferentes de suas trajetórias políticas. O movimento tem provocado reações tanto entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto no grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além de acirrar disputas regionais.

As mudanças têm impactado diretamente a configuração dos palanques estaduais, gerando incômodo entre lideranças locais, que veem com desconfiança candidaturas consideradas “importadas”, sem histórico político consolidado nas regiões onde pretendem concorrer.

Entre os casos mais emblemáticos estão nomes próximos ao bolsonarismo. O deputado federal Hélio Lopes transferiu seu título do Rio de Janeiro para Roraima, decisão que surpreendeu o diretório estadual do Partido Liberal (PL). A legenda local destacou a importância de representantes com vínculo real com o estado.

Também promoveram mudanças o vereador Carlos Bolsonaro, que passou a atuar politicamente em Santa Catarina, e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que optou pelo Distrito Federal. No caso dela, a decisão ocorreu com respaldo da cúpula partidária.

No campo governista, uma das movimentações mais relevantes envolve a ministra do Planejamento, Simone Tebet. Após se filiar ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), ela transferiu seu domicílio de Mato Grosso do Sul para São Paulo, onde deve disputar o Senado. A estratégia busca fortalecer a base governista no maior colégio eleitoral do país.

Outro nome que optou por uma mudança foi o ex-deputado Cabo Daciolo, que migrou para o Amazonas e se filiou ao Mobilização Nacional. Ele afirma ter intenção de disputar a Presidência, mas não descarta concorrer a cargos estaduais.

Na corrida por vagas na Câmara, também houve alterações relevantes. O ex-deputado Eduardo Cunha planeja tentar retorno ao Congresso por Minas Gerais, após enfrentar dificuldades para se viabilizar politicamente em São Paulo. Já Jean Wyllys pretende concorrer por São Paulo, marcando seu retorno ao cenário político após anos fora do país.

Outros nomes conhecidos também mudaram de estado, como o deputado Tiririca, que transferiu o domicílio para o Ceará, e a deputada Rosângela Moro, que fará o caminho inverso e disputará a eleição pelo Paraná.

As alterações de domicílio eleitoral precisam ser aprovadas pela Justiça Eleitoral, mediante comprovação de vínculo com o novo local — que pode ser de natureza residencial, profissional, familiar ou até afetiva. O prazo para esse tipo de mudança se encerra meses antes da eleição, e eventuais irregularidades podem ser contestadas judicialmente.

Casos semelhantes já geraram controvérsia em eleições anteriores, evidenciando a flexibilidade — e também os limites — da legislação eleitoral brasileira diante dessas estratégias políticas.

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