Moraes teria tratado da situação do Banco Master com o BC antes de o caso chegar ao STF
- Adilson Silva

- 7 de jan.
- 2 min de leitura
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes manteve contatos com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para discutir a situação do Banco Master antes de o tema ser oficialmente analisado pela Corte. A informação foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, em publicação no jornal O Globo.

De acordo com a apuração, ao menos quatro interações teriam ocorrido: três por telefone e uma em reunião presencial. As conversas aconteceram em um período anterior à judicialização do caso no STF, que só foi provocado posteriormente, a partir de uma ação encaminhada pelo ministro Dias Toffoli.
Segundo a reportagem, Moraes teria defendido junto ao Banco Central a aprovação de uma negociação envolvendo o Banco Master — controlado pelo empresário Daniel Vorcaro — e o Banco de Brasília (BRB), que na ocasião demonstrava interesse em adquirir a instituição financeira.
Ainda conforme as informações, Galípolo teria informado ao ministro que análises técnicas do BC apontaram indícios de irregularidades em operações que envolviam a transferência de aproximadamente R$ 12 bilhões em créditos do Banco Master para o BRB. Esses elementos, segundo o Banco Central, inviabilizariam a autorização da operação.
Relatos obtidos pela jornalista indicam que, diante das suspeitas apresentadas, Moraes teria reconhecido que a negociação não poderia avançar caso as irregularidades fossem confirmadas. Os detalhes das conversas teriam sido corroborados por seis fontes ouvidas ao longo de três semanas — uma delas teria recebido o relato diretamente do ministro, enquanto as demais tiveram acesso às informações por meio de integrantes do Banco Central.
A reportagem também chama atenção para um possível conflito de interesses. O escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha contrato com o Banco Master que previa o pagamento mensal de R$ 3,6 milhões, com vigência de três anos a partir de janeiro de 2024. O valor total do contrato chegaria a cerca de R$ 130 milhões. Com a liquidação do banco, os repasses teriam sido suspensos.
Ainda segundo o blog, os contatos entre Moraes e Galípolo ocorreram antes de qualquer participação formal do Supremo no caso, o que ampliou a repercussão política e institucional das revelações.
A rádio CBN segue acompanhando as reações e os desdobramentos do episódio e promete novas informações ao longo de sua programação.







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