Marcos Nobre avalia que Flávio Bolsonaro terá tempo para se recuperar de crise envolvendo Daniel Vorcaro
- Adilson Silva

- há 3 dias
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O filósofo e cientista político Marcos Nobre afirmou que o desgaste causado pelas revelações sobre a relação entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro não deve comprometer a competitividade do parlamentar na disputa presidencial deste ano.

Em entrevista à BBC News Brasil, Nobre avaliou que, apesar dos impactos negativos para a imagem do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o episódio ocorreu com antecedência suficiente para permitir uma recuperação política antes das eleições de outubro.
Segundo o professor da Universidade Estadual de Campinas, Flávio já possui uma base eleitoral consolidada, o que dificultaria o surgimento de outro nome competitivo da oposição para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um eventual segundo turno.
Nobre também defendeu que o cenário político brasileiro atual vai além de uma simples polarização entre esquerda e direita. Para ele, o país vive uma divisão entre duas grandes coalizões: uma favorável à continuidade de políticas de redistribuição de renda e outra alinhada a posições anti-redistributivas.
Na avaliação do cientista político, a chamada “terceira via” não conseguiu se consolidar como alternativa viável ao eleitorado. Ele argumenta que candidaturas fora dos campos liderados por Lula e pelo bolsonarismo acabam funcionando apenas como espaços temporários de articulação política.
Durante a entrevista, Marcos Nobre destacou ainda a força da estrutura digital ligada ao bolsonarismo, que classificou como um “partido digital”. Segundo ele, essa organização possui forte capacidade de mobilização, coordenação política e influência nas redes sociais, o que ajuda a sustentar o capital eleitoral da direita ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O filósofo também comentou o atual cenário institucional do país e afirmou que o presidencialismo de coalizão perdeu força nos últimos anos, ampliando as dificuldades de governabilidade no Congresso Nacional. Segundo ele, o governo federal hoje opera em um ambiente de negociações mais tensas e com menor capacidade de articulação política.







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