Mais de 2 milhões de aposentados e pensionistas da Bahia podem ter direito a isenção do Imposto de Renda
- Notícias Adilson Silva

- 12 de mar.
- 2 min de leitura

Cerca de 2,29 milhões de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na Bahia podem estar aptos à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto na Lei N° 7.713/88. O benefício é concedido a quem sofre de doenças graves. No entanto, muitos desconhecem essa possibilidade, o que afeta diretamente o orçamento familiar.A história da família da médica veterinária, Cristiane Pacheco, filha de Flávio Pacheco, aposentado pelo Regime Próprio do estado da Bahia e portador de uma doença neurodegenerativa chamada Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP), ilustra essa dificuldade para conquistar a isenção do imposto de renda para o seu pai.
Clique aqui e se inscreva no canal do BNews no YoutubeFoi por meio de uma live na internet, que Cristiane soube da possibilidade de isenção. Ao procurar um advogado, recebeu uma resposta desmotivadora: o processo seria demorado e complicado. Quando decidiu seguir com o processo, um dos maiores desafios foi obter um laudo médico pela Receita Federal, pois, seu pai já acamado, precisava que um médico do Sistema Único de Saúde (SUS) fosse até sua residência para atestar sua condição. "A Receita Federal não aceitou o documento do médico particular dele", conta.Após auxílio de um escritório de advocacia, Cristiane obteve sucesso. “Ao conseguirmos a isenção, tivemos condições de adquirir móveis hospitalares e insumos médicos para meu pai, que já estava com a saúde muito debilitada”, explica.
Os servidores públicos do estado enfrentam desafios significativos para obter isenção do Imposto de Renda por meio da Coordenação de Perícias Médicas e Segurança do Trabalho (CEPREV). Embora a legislação determine a análise individualizada das patologias, há relatos de que laudos médicos emitidos pelo SUS, mesmo quando reconhecidos pela Receita Federal, não são automaticamente aceitos. Isso gera insegurança para os solicitantes, que, apesar de apresentarem documentação completa e em conformidade com as normas, enfrentam indeferimentos sem justificativa clara.
Segundo Sygrid Dias, especialista em isenção e recuperação fiscal, não há um procedimento oficial para anexar documentação complementar junto à Secretaria da Administração do Estado da Bahia (SAEB) que possa reforçar a solicitação. “Muitos servidores se veem obrigados a recorrer a novas perícias e até ações judiciais para garantir um direito que deveria ser garantido por lei, evidenciando um desalinhamento entre as normas e a prática adotada pelo órgão,” comenta.
A Lei Nº 7.713/88 garante a isenção para quem sofre de 17 doenças graves, incluindo câncer (neoplasia maligna), problemas cardiovasculares sérios, doenças renais crônicas, AIDS, cegueira com comprometimento mínimo de 60%, doenças relacionadas ao trabalho e outras que causem sequelas permanentes. Para conseguir a isenção, é preciso apresentar laudos médicos detalhados e passar por perícia.O pedido pelo benefício pode ser feito pelo aplicativo Meu INSS ou diretamente na Receita Federal. No INSS, é necessário apresentar documentos médicos e, em certos casos, passar por perícia presencial. Já na Receita Federal, o processo envolve um pedido administrativo, que pode resultar na isenção e na devolução dos valores pagos nos últimos cinco anos.
A isenção pode representar uma economia considerável para os aposentados. Um beneficiário que paga R$1.000 de IR por mês pode recuperar até R$12.000 por ano, além de valores retroativos corrigidos pela taxa Selic. "Esse dinheiro pode ajudar a pagar despesas com remédios, tratamentos e outras necessidades", destaca a especialista.







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