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Lula já discutia internamente possível impacto do caso Banco Master sobre aliados, dizem interlocutores

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já vinha tratando nos bastidores da possibilidade de que as investigações relacionadas ao Banco Master alcançassem integrantes próximos de seu governo. Segundo pessoas ligadas ao Palácio do Planalto, o chefe do Executivo teria adotado, desde os primeiros sinais de envolvimento de aliados, o entendimento de que qualquer suspeita deve ser apurada e que eventuais responsáveis precisam responder por seus atos.

Nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em mais uma etapa da Operação Compliance Zero. Entre os alvos está o senador Jaques Wagner, que atualmente exerce a função de líder do governo no Senado.

De acordo com ministros e interlocutores próximos ao presidente, Lula passou a reforçar internamente o discurso de que a Polícia Federal tem autonomia para conduzir as investigações e que não deve haver interferência nas apurações. A orientação teria sido repetida diversas vezes em reuniões reservadas, especialmente após notícias envolvendo possíveis conexões de figuras do governo com o caso.

A posição do presidente já havia sido demonstrada em outra ocasião, quando comentou suspeitas envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, em investigações relacionadas ao INSS. Na época, Lula afirmou que, caso fosse comprovada alguma responsabilidade, ele também deveria arcar com as consequências.

Segundo relatos de aliados, o presidente chegou a conversar diretamente com Jaques Wagner após o nome do senador surgir em reportagens sobre o caso. Na conversa, Wagner teria assegurado que não possui participação direta nas irregularidades financeiras apuradas pela Polícia Federal.

Nos bastidores do governo, há preocupação com os possíveis reflexos políticos da operação em meio à disputa eleitoral. Integrantes da base avaliam que o avanço das investigações pode gerar desgaste para a campanha de reeleição de Lula.

O caso também ganhou repercussão por envolver o senador Flávio Bolsonaro. Áudios divulgados anteriormente mostrariam o parlamentar solicitando recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar uma produção audiovisual sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Um integrante da cúpula governista relatou que, ao ser informado sobre a possibilidade de as investigações atingirem nomes ligados ao governo federal, Lula teria reafirmado diversas vezes que não pretende interferir no trabalho da Polícia Federal e que as apurações devem seguir seu curso normal.

 
 
 

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