Lula diz que decidirá sobre veto ao PL da Dosimetria e afirma que Bolsonaro “tem que pagar” por tentativa de golpe
- Adilson Silva

- 12 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (11) que só tomará uma decisão sobre o projeto que reduz as penas de envolvidos nos ataques de 8 de janeiro — incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — quando o texto chegar à sua mesa para sanção. Lula reforçou, porém, que considera necessário que Bolsonaro responda pelos atos que descreveu como “tentativa de destruir a democracia”.

“A discussão agora vai para o Senado. Quando chegar à minha mesa, eu tomarei a decisão. Eu e Deus, sentado na minha mesa, farei aquilo que entender que deva ser feito, porque ele tem que pagar pela tentativa de golpe”, declarou o presidente em entrevista ao Portal Uai, de Minas Gerais.
O PL, aprovado pela Câmara na madrugada de quarta-feira (10), substitui a proposta de anistia ampla e estabelece regras de dosimetria para reduzir penas de condenados pelos ataques aos Três Poderes. Auxiliares do governo apontam que a tendência é que Lula vete integralmente o texto.
O presidente criticou a postura de Bolsonaro após a derrota eleitoral de 2022, comparando-a ao comportamento de outros políticos que aceitaram seus resultados nas urnas. Segundo Lula, se o ex-presidente tivesse respeitado as instituições, “não estaria preso” e poderia disputar as próximas eleições.
Críticas à oposição e à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro
Na entrevista, Lula minimizou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), lançada na semana passada. Ele ironizou a quantidade de nomes cogitados pela oposição para 2026, afirmando que “quem inventa muito nome é porque não tem nenhum” e reforçou que acredita na derrota adversária no próximo pleito.
Flávio chegou a dizer que teria um “preço” para desistir da disputa, mas recuou, afirmando ao Folha de S.Paulo que sua candidatura é definitiva. Antes do anúncio público, o senador esteve com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para comunicar a decisão.
Zema, Pacheco e a política mineira
Lula também renovou críticas ao governador Romeu Zema (Novo) e disse não ter desistido de convencer o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), a disputar o governo de Minas Gerais em 2026. Segundo ele, Pacheco seria decisivo no cenário eleitoral do estado, apesar de o senador já ter indicado que não deseja concorrer.
O presidente lembrou ainda que Pacheco foi cogitado para a vaga de Luís Roberto Barroso no STF, mas que ele optou por indicar Jorge Messias para o posto.
Caravana Federativa e acenos eleitorais
Lula está em Minas Gerais para lançar a Caravana Federativa, ação que leva ministérios e órgãos federais para atender governos locais. Em Itabira, o presidente fez um discurso com tom eleitoral, destacando medidas populares adotadas pelo governo, como:
isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil;
tarifa zero de energia para famílias que consomem até 80 kWh mensais;
distribuição de botijões de gás a famílias de baixa renda.
O presidente afirmou que a população mais pobre é ignorada fora dos períodos eleitorais. “Passam o ano comendo com empresário e banqueiro. Quando chega a eleição, o pobre vira importante porque é maioria”, disse.
Em seguida, durante a inauguração do Centro de Radioterapia do Hospital Nossa Senhora das Dores, Lula ressaltou que o equipamento é equivalente ao usado em tratamentos de líderes mundiais, citando Donald Trump, ele próprio e até o Papa como exemplos.







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