Justiça colombiana proíbe candidato de usar camisa da seleção em campanha presidencial
- Adilson Silva

- 4 de jun.
- 2 min de leitura
Decisão determina retirada do uniforme e de símbolos da equipe nacional de atos políticos e publicações ligadas à candidatura de Abelardo de la Espriella
A Justiça da Colômbia determinou que o candidato presidencial Abelardo de la Espriella deixe de utilizar a camisa da seleção colombiana em atividades de campanha.

A decisão, que entrou em vigor imediatamente nesta quinta-feira (4), impede o uso do uniforme, das cores e dos emblemas da equipe nacional em eventos eleitorais, redes sociais, entrevistas e demais ações de divulgação política.
A medida foi adotada pela juíza Aura Luz Forero após uma ação apresentada por um cidadão que alegou sentir-se discriminado pela associação de um símbolo nacional a uma candidatura específica.
Símbolo nacional deve permanecer neutro
Na decisão, a magistrada entendeu que o uso recorrente da camisa da seleção durante a campanha poderia comprometer a neutralidade de um dos principais símbolos esportivos do país.
Segundo o entendimento da Justiça, a utilização do uniforme em atos eleitorais cria uma associação direta entre a seleção colombiana e um projeto político, atribuindo ao símbolo uma finalidade diferente daquela para a qual foi concebido.
O pedido que motivou a ação também argumentava que a vinculação do uniforme à campanha poderia contribuir para a estigmatização de cidadãos com posições políticas divergentes.
Estratégia marcou reta final da campanha
Espriella passou a utilizar a camisa da seleção com frequência nos dias que antecederam o primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (31). O candidato também incentivou seus apoiadores a comparecerem às urnas vestindo o uniforme nacional.
A estratégia ganhou visibilidade após o candidato conquistar a liderança no primeiro turno, obtendo 43,74% dos votos válidos e garantindo vaga na disputa decisiva contra o senador Iván Cepeda, aliado do presidente colombiano, Gustavo Petro.
Debate lembra disputa ocorrida no Brasil
O uso da camisa da seleção colombiana gerou debates semelhantes aos registrados no Brasil nos últimos anos, quando o uniforme da seleção brasileira passou a ser amplamente utilizado em manifestações e eventos políticos.
Na Colômbia, setores da esquerda criticaram a iniciativa por considerarem que um símbolo nacional não deveria ser associado a grupos partidários ou candidatos específicos.
A discussão levou inclusive a manifestações da federação de futebol do país, que defendeu a preservação da neutralidade dos símbolos ligados à seleção nacional.
Candidato também foi alvo de decisão por declarações sobre mulheres
Além da controvérsia envolvendo a camisa da seleção, Espriella enfrentou recentemente outro revés judicial. Uma magistrada determinou que ele apresentasse desculpas públicas após declarações consideradas ofensivas a uma jornalista durante uma entrevista.
A Justiça entendeu que as falas reproduziam estereótipos sobre a participação feminina na política e poderiam ser interpretadas como desrespeitosas às mulheres.
O pedido de retratação foi cumprido pelo candidato nesta quinta-feira, coincidentemente enquanto ele ainda utilizava a camisa da seleção colombiana, cuja utilização em atos de campanha agora está proibida por decisão judicial.








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