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Janela partidária provoca troca de legenda de ao menos 85 deputados federais

O encerramento da janela partidária, na última sexta-feira (3), resultou na troca de partido de pelo menos 85 deputados federais — o equivalente a cerca de 17% das 513 cadeiras da Câmara. O período, que permite a mudança de legenda sem perda de mandato, redesenhou parcialmente o cenário político nacional.

Entre os partidos, o União Brasil foi o que mais perdeu parlamentares. A sigla, que surgiu da fusão entre DEM e PSL e elegeu 59 deputados em 2022, encerra a janela com uma redução significativa em sua bancada, perdendo 16 integrantes.

Dois fatores ajudam a explicar esse movimento: a federação firmada com o PP, que alterou a correlação de forças nos estados, e o reposicionamento de parlamentares mais alinhados ao bolsonarismo. Parte deles migrou para o Partido Liberal (PL), buscando identificação com o número eleitoral da legenda.

O PL, por sua vez, foi o principal beneficiado pelas mudanças. Ligado ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, o partido conseguiu ampliar sua bancada após ter perdido deputados ao longo da legislatura. Com a janela, a sigla atraiu novos nomes e voltou a crescer na Câmara.

Outro destaque foi o avanço do Partido Social Democrático (PSD), comandado por Gilberto Kassab. Mesmo registrando algumas saídas, o partido teve saldo positivo ao atrair mais parlamentares do que perdeu, consolidando-se entre as maiores bancadas da Casa.

Já o Partido Democrático Trabalhista (PDT) teve redução em sua representação, enquanto o Podemos ampliou sua presença e ultrapassou o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), que também voltou a ganhar espaço após perdas recentes.

No campo governista, a federação liderada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), ao lado de PV e PCdoB, manteve relativa estabilidade, com pequenas variações positivas entre os partidos aliados.

Um caso que ainda pode sofrer alterações é o do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que pode ampliar sua bancada após a filiação do senador Rodrigo Pacheco. A expectativa é de que aliados do parlamentar também se integrem à sigla, especialmente diante de articulações para disputas estaduais.

A janela partidária é um mecanismo previsto na legislação eleitoral que permite a deputados federais e estaduais mudarem de partido sem risco de perder o mandato. O período ocorre nos 30 dias que antecedem o prazo final de filiação para as eleições — neste ano, marcadas para 4 de outubro.

Além de influenciar a composição política da Câmara, o tamanho das bancadas impacta diretamente nas negociações eleitorais e na distribuição de recursos e tempo de propaganda. Apesar disso, o fundo eleitoral segue baseado principalmente no desempenho das siglas na eleição anterior.

Antes mesmo da abertura oficial da janela, dezenas de parlamentares já haviam trocado de partido mediante acordos entre as legendas, evitando questionamentos jurídicos por infidelidade partidária.

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