Itamaraty reage a ameaça dos EUA e afirma que democracia brasileira não será intimidadaPolítica
- Adilson Silva

- 10 de set.
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repudiou nesta terça-feira (9) as declarações da Casa Branca sobre a possibilidade de utilizar poder econômico e até militar em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em nota oficial, o Itamaraty afirmou que “o Brasil não aceitará intimidações contra sua soberania” e classificou como inaceitável qualquer tentativa de governos estrangeiros influenciarem processos internos.
“O governo brasileiro condena a instrumentalização de avaliações econômicas e qualquer ameaça de uso da força contra a democracia nacional”, destacou o comunicado.
A manifestação ocorreu após a porta-voz do presidente Donald Trump, Karoline Leavitt, afirmar que os Estados Unidos não hesitariam em acionar instrumentos econômicos ou militares sob o argumento de proteger a “liberdade de expressão” no mundo.
Repercussão interna
Integrantes do governo reagiram de forma contundente. A ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) acusou a família Bolsonaro de conspirar contra o país e declarou que Eduardo Bolsonaro deveria perder o mandato por atuar no exterior em defesa do pai.
Já o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) declarou, durante o lançamento de um livro, que o STF manterá sua independência: “Pode dizer ao Trump que o Supremo decidirá com soberania. Quem se junta com porcos, farelos come”, afirmou.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, também se pronunciou, chamando a fala da Casa Branca de “expressão do comichão neocolonialista”, lembrando ainda o histórico brasileiro de resistência a regimes autoritários.
Outro auxiliar de Lula classificou como “ridículo” o argumento de que há desrespeito à liberdade de expressão no Brasil, ressaltando que manifestantes bolsonaristas carregaram bandeiras norte-americanas em protestos recentes contra o Judiciário.
Diplomacia em alerta
Fontes diplomáticas revelaram que já havia expectativa de um posicionamento hostil do governo Trump, mas que a imprevisibilidade da Casa Branca exige cautela na resposta. Apesar disso, o Itamaraty considerou fundamental marcar posição imediata diante da gravidade da ameaça.
Enquanto isso, Lula retornava de agenda em Manaus e ainda deve se manifestar diretamente sobre o episódio.
Declaração dos EUA
Durante entrevista coletiva, Leavitt foi questionada sobre possíveis sanções ao Brasil devido ao julgamento de Bolsonaro e respondeu que Trump está disposto a defender a “liberdade de expressão” mundialmente, utilizando inclusive “o poder econômico e militar dos Estados Unidos”.
A embaixada norte-americana em Brasília chegou a publicar o vídeo com a fala da porta-voz, mas omitiu em suas redes sociais o trecho que mencionava o uso de força militar.
O caso ocorre em meio ao julgamento de Bolsonaro e outros acusados de tentar impedir a posse de Lula em 2023, episódio que segue mobilizando atenções dentro e fora do país.







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