Hugo Motta consolida superbloco com 275 deputados e redefine correlação de forças na Câmara
- Adilson Silva

- há 4 dias
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Presidente da Câmara amplia base de apoio e se distancia de PT e PL
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), articulou a formação de um grande bloco parlamentar composto por 275 deputados — mais da metade da Casa — como estratégia para reforçar sua governabilidade e ampliar sua autonomia diante tanto do governo federal quanto da oposição.
A movimentação simboliza um novo capítulo na relação de Motta com o PT e o PL, siglas com as quais rompeu após seguidos embates ao longo do ano.

Recomposição após desgaste político
O bloco recém-formulado reúne parte das legendas que apoiaram a eleição de Motta à presidência da Câmara em fevereiro, quando ele obteve 444 votos. Entretanto, ao longo de 2025, a coalizão original havia sido fragmentada por saídas de partidos como Solidariedade, Patriota, Avante, além de fissuras crescentes com o PT e o PL.
Diante das dificuldades para avançar com a pauta legislativa, Motta retomou conversas no fim de outubro para reagrupar os partidos de centro-direita. O acordo inclui rodízio na liderança do bloco e o compromisso de manutenção da união até dezembro de 2026.
Saída do PT e tensões crescentes
Os atritos começaram meses antes. Em agosto, o PT formalizou sua retirada do grupo após uma derrota na CPI do INSS, que terminou com opositores assumindo os principais postos. Nos bastidores, relatos apontam que a ministra Gleisi Hoffmann chegou a incentivar outras siglas a abandonarem o bloco.
Assim que Motta finalizou os acertos para reorganizar o grupo, a ministra teria sido informada da nova configuração.
Quem compõe o superbloco
A nova aliança reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB/Cidadania e Podemos. Juntos, esses partidos somam 275 dos 513 deputados federais.
Com essa força numérica, o bloco é capaz de aprovar requerimentos de urgência e avançar em projetos sem depender do apoio nem da esquerda, nem da direita mais radical.
Rodízio na liderança e estrutura robusta
O bloco possui uma liderança rotativa de aproximadamente 30 dias. Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) foi o primeiro a assumir o posto, hoje ocupado por Doutor Luizinho (PP-RJ).
A estrutura é tão grande que conta com 63 vice-líderes, número superior ao de quase todos os partidos individualmente — à exceção de PL e PT.
Vitória na pauta de segurança pública
Foi esse bloco que garantiu a Motta a aprovação do projeto de lei antifacções, mesmo diante da resistência tanto do governo quanto da oposição. O PT criticou a escolha do relator, Guilherme Derrite (PP-SP), e alterações no texto que haviam sido tratadas como prioridade pelo presidente Lula.
O PL, por sua vez, pressionou pela inclusão de uma emenda que classificaria facções criminosas como organizações terroristas — proposta rejeitada por Motta sob argumento de inconstitucionalidade, e também após críticas de especialistas e do mercado financeiro.
A proposta foi aprovada por 370 votos a 110, contrariando o Palácio do Planalto.
Ruptura com Lindbergh e desgaste com Sóstenes
A votação acirrou ainda mais a crise. Motta declarou que não desejava manter qualquer relação política com o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ). Com Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL, o embate se deu pela insistência do deputado em defender a emenda sobre terrorismo.
Mensagens divulgadas na imprensa mostraram que Motta chegou a comunicar a Sóstenes que ele “não poderia mais contar” com o presidente da Câmara. Os dois não conversam desde então.
Preocupação com isolamento e perda de aliados históricos
Deputados apontam que o afastamento simultâneo de PT e PL — as duas maiores bancadas — pode isolar politicamente o presidente da Câmara e reduzir sua margem de manobra. Integrantes do centrão mencionam ainda um distanciamento crescente entre Motta e Arthur Lira (PP-AL), seu antecessor e antigo aliado.
Movimento de olho na eleição de 2027
Lideranças avaliam que o superbloco também representa um passo estratégico de Motta rumo a uma eventual candidatura à reeleição para a presidência da Câmara, em fevereiro de 2027. Se o grupo permanecer unido após as eleições municipais e gerais, ele pode garantir vantagem inicial na disputa.
Contudo, aliados dividem opiniões. Parte afirma que ainda não há discussão sobre sucessão, enquanto outros admitem que o bloco prepara terreno, mas reforçam que a viabilidade de Motta dependerá da força política que ele demonstrar ao longo do mandato.
Possíveis nomes para a sucessão
Nos corredores da Câmara, vários parlamentares são apontados como potenciais concorrentes ao comando da Casa:
Antonio Brito (PSD-BA)
Doutor Luizinho (PP-RJ)
Sóstenes Cavalcante (PL-RJ)
Altineu Côrtes (PL-RJ)
Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL)
Arthur Lira também é mencionado, embora seus aliados indiquem que o deputado deve disputar o Senado no próximo ano.







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