Haddad elogia Fachin por proposta de código de ética no STF e minimiza encontro de Lula com dono do Banco Master
- Adilson Silva

- 29 de jan.
- 3 min de leitura
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), manifestou apoio à iniciativa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin de estabelecer um código de conduta para a Corte.

A declaração foi dada em entrevista nesta quinta-feira (29), na qual Haddad também relativizou o encontro ocorrido em 2024, fora da agenda oficial, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Ao comentar a crise de imagem enfrentada pelo STF, Haddad afirmou confiar na condução do tribunal sob a liderança de Fachin. Segundo ele, o ministro reúne as condições necessárias para lidar com o tema de forma adequada. Ainda assim, destacou que a discussão sobre regras de conduta é um assunto interno do Supremo.
A adoção de um código de ética é uma das medidas defendidas por Fachin para responder aos desgastes recentes da Corte, intensificados após o avanço das investigações envolvendo o Banco Master. Nas últimas semanas, vieram à tona vínculos indiretos entre o empresário Daniel Vorcaro e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o que ampliou o debate público sobre transparência e integridade institucional.
Haddad afirmou que instituições públicas não devem temer processos de correção interna quando surgem questionamentos. Para ele, mecanismos de apuração são fundamentais para preservar a credibilidade e a legitimidade dos órgãos de Estado. Como exemplo, citou a abertura de procedimentos internos no Banco Central para analisar a atuação da autarquia no caso Master.
Reportagens recentes revelaram contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes, além de vínculos societários envolvendo familiares do ministro Dias Toffoli com empreendimentos ligados ao conglomerado investigado.
Sobre a reunião entre Lula e Vorcaro, ocorrida em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto, Haddad afirmou que, à época, havia apenas comentários genéricos sobre problemas no banco, sem indícios concretos de fraude ou crime. Segundo ele, o encontro não era de seu conhecimento prévio e, naquele momento, as suspeitas se limitavam a uma avaliação de má condução empresarial.
O ministro também mencionou doações eleitorais feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, a campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022, ressaltando que encontros com empresários ou doações legais não configuram, por si só, irregularidade.
Haddad afirmou que, com o avanço das informações, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, demonstrou preocupação e adotou providências para aprofundar a fiscalização. A existência de uma investigação interna no BC, que analisa desde a expansão do grupo financeiro até a liquidação do Banco Master em novembro de 2025, veio a público nesta quinta-feira.
O ministro defendeu a atuação do Banco Central, afirmando que o caso representou um problema herdado da gestão anterior, comandada por Roberto Campos Neto. Segundo Haddad, Galípolo tomou todas as medidas necessárias diante da situação.
Ele também comentou o almoço realizado em dezembro com Lula e o ministro Dias Toffoli, confirmando que o principal assunto tratado foi o caso Master. De acordo com Haddad, o presidente teria destacado a importância de dar uma resposta firme no combate à corrupção em altos escalões.
Na entrevista, Haddad confirmou que deixará o comando do Ministério da Fazenda ainda em fevereiro, mas não revelou quem assumirá a pasta. Entre os nomes mais citados está o do atual secretário-executivo, Dario Durigan. O ministro também voltou a ser questionado sobre uma possível candidatura em São Paulo, hipótese à qual tem resistido, afirmando que prefere colaborar na formulação de propostas e no apoio à campanha do campo progressista.







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