Guilherme Boulos diz que Supremo Tribunal Federal foi essencial contra golpe, mas não está “acima do bem e do mal”
- Adilson Silva

- há 4 horas
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O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP), afirmou nesta segunda-feira (23) que o Supremo Tribunal Federal (STF) teve papel decisivo na preservação da democracia, mas ressaltou que nenhuma instituição deve ser considerada intocável.

“O Supremo foi importante para o Brasil para preservar a democracia contra quem queria dar golpe de Estado. Isso não quer dizer que o Supremo ou qualquer outra instituição esteja acima do bem e do mal”, declarou, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional.
Casos envolvendo ministros
A declaração ocorre em meio a questionamentos sobre vínculos de ministros da Corte com o Banco Master, que é investigado por suspeitas de fraudes financeiras.
O ministro Dias Toffoli deixou a relatoria de um inquérito relacionado ao banco após reconhecer que integra o quadro societário da empresa Maridt, que realizou negócios com fundos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Master. Toffoli afirmou, em nota, que não participa da gestão da empresa familiar e que não mantém relação de amizade com o empresário.
Outro episódio envolve o ministro Alexandre de Moraes. O escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foi contratado pelo Banco Master para prestação de serviços jurídicos. Após a divulgação do contrato, o STF informou que abriu investigação para apurar possíveis irregularidades e vazamentos de informações fiscais de ministros e familiares, no âmbito de inquérito já em andamento.
Até o momento, não há conclusão oficial que aponte irregularidades por parte dos ministros.
Debate político e jornada de trabalho
Durante a entrevista, Boulos também comentou episódio ocorrido nas eleições municipais de 2024, quando José Luiz Datena atingiu o então candidato Pablo Marçal com uma cadeira durante debate. “Você fez uma coisa que eu gostaria de fazer: lavou a alma do povo brasileiro”, afirmou o ministro. Naquele pleito, Boulos disputou o segundo turno, mas foi derrotado por Ricardo Nunes (MDB), que foi reeleito.
O ministro ainda defendeu a proposta de acabar com a escala 6x1 e reduzir a jornada máxima semanal de 44 para 40 horas, sem corte salarial. Segundo ele, o governo pretende avançar com a medida até junho, argumentando que a redução da carga horária pode elevar a produtividade dos trabalhadores.
As declarações reforçam o momento de debate institucional e político envolvendo o STF, o governo federal e o Congresso, em meio a investigações e à discussão de pautas trabalhistas.







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