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Governo recalibra discurso sobre caso Master após pesquisas apontarem desgaste

Integrantes do governo federal passaram a rever a estratégia de comunicação adotada em relação ao caso Master após levantamentos de opinião indicarem que a corrupção voltou ao topo das preocupações dos brasileiros, ao lado da segurança pública.

Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil
Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

A avaliação interna é que a insistência no tema pode estar gerando desgaste político ao Palácio do Planalto.

De acordo com auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, parte do eleitorado passou a associar as investigações à gestão petista, independentemente do espectro político dos investigados. A leitura é que, mesmo com a atuação de órgãos de controle e fiscalização, o debate público acabou reforçando a percepção de que o problema estaria vinculado ao atual governo.

Nas últimas semanas, Lula adotou tom firme ao comentar o caso. Em declarações públicas, afirmou que as apurações alcançaram “magnatas do crime” e defendeu que as investigações fossem aprofundadas, inclusive para esclarecer a aplicação de recursos públicos em fundos ligados ao banco Master. O presidente também questionou possíveis vínculos entre o Master e o BRB, banco estatal do Distrito Federal.

Inicialmente tratada como oportunidade para demonstrar rigor no combate à corrupção — sobretudo diante de adversários políticos mencionados nas investigações — a exposição do tema passou a ser vista com cautela. A orientação interna agora é reduzir a centralidade do caso nos discursos oficiais.

Ministros devem evitar manifestações diretas sobre o assunto, especialmente diante do ambiente de tensão institucional envolvendo a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. O desconforto aumentou após relatório da PF levantar suspeitas sobre o ministro Dias Toffoli, que deixou a relatoria do caso.

A substituição de Toffoli pelo ministro André Mendonça, indicado ao Supremo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é vista por aliados do governo como fator que ajuda a afastar narrativas de interferência política. Toffoli foi nomeado à Corte por Lula em 2009, o que alimentava críticas da oposição.

Nos bastidores, a estratégia delineada é reforçar apoio institucional às investigações conduzidas por órgãos como Banco Central, Receita Federal e Polícia Federal, destacando que as apurações tiveram início na atual gestão. Ao mesmo tempo, o governo pretende tratar o combate à corrupção como política permanente de Estado, evitando transformá-lo em eixo central do discurso político.

Parte dos aliados defende que o foco das comunicações oficiais volte-se para pautas econômicas e sociais, como a taxação de altas rendas para financiamento de programas sociais — tema que, segundo interlocutores, teve bom desempenho nas redes sociais ao longo de 2025.

O cuidado redobrado com o tema também remete a episódios anteriores da trajetória do PT. Fundado em 1980, o partido consolidou-se nos anos 1990 com discurso fortemente associado à ética na política. Já no exercício do poder, enfrentou crises como o mensalão e a Operação Lava Jato, que atingiram lideranças da legenda, incluindo o próprio Lula, posteriormente beneficiado por decisões judiciais que anularam condenações.

Embora interlocutores do governo afirmem não haver qualquer intenção de interferir nas investigações, o receio é que a percepção pública negativa sobre corrupção volte a impactar politicamente o partido, especialmente entre eleitores mais sensíveis ao tema da ética na administração pública.

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