Governo encaminha novo pedido de extradição de Carla Zambelli à Justiça italiana
Manifestação trata da condenação relacionada ao episódio em que a ex-deputada perseguiu um homem armada durante as eleições de 2022
O governo brasileiro apresentou nesta quinta-feira (25) uma nova manifestação à Justiça da Itália solicitando a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli. Desta vez, o pedido está relacionado à condenação da ex-parlamentar pelo episódio em que perseguiu um homem com uma arma de fogo na véspera do segundo turno das eleições de 2022.

A solicitação foi encaminhada à Corte de Cassação da Itália, última instância da Justiça italiana, e tem como base a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O novo pedido ocorre após a Justiça italiana rejeitar, em maio deste ano, a extradição de Zambelli no processo referente à invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Na ocasião, os magistrados apontaram dúvidas sobre a imparcialidade do julgamento, destacando a participação do ministro Alexandre de Moraes, que figurava simultaneamente como integrante do colegiado julgador e vítima de um dos crimes atribuídos à ex-deputada.
Segundo o governo brasileiro, a nova manifestação foi elaborada de forma conjunta pela Advocacia-Geral da União, pela Secretaria Nacional de Justiça, pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional e pelo Ministério das Relações Exteriores. O conteúdo do documento permanece sob sigilo devido às regras de confidencialidade do processo na Itália.
No caso envolvendo a arma, Carla Zambelli foi condenada a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além da perda do mandato parlamentar. A condenação decorre do episódio ocorrido em 29 de outubro de 2022, quando a então deputada sacou uma arma e perseguiu um homem pelas ruas do bairro dos Jardins, em São Paulo, após uma discussão. Durante a ocorrência, um segurança que acompanhava a parlamentar efetuou um disparo de arma de fogo e acabou preso pela Polícia Civil.
Ao votar pela condenação, o ministro Gilmar Mendes destacou que o porte de arma concedido à parlamentar destinava-se exclusivamente à defesa pessoal, não autorizando a exibição ostensiva do armamento em locais públicos, salvo em situações de legítima defesa.
Após deixar o Brasil em junho de 2025, Zambelli passou a ser considerada foragida da Justiça brasileira. Ela foi localizada e presa no mês seguinte em um apartamento na cidade de Roma, onde permanece enquanto as autoridades italianas analisam os pedidos de extradição apresentados pelo governo brasileiro.









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