top of page

Gestão Haddad combina crescimento econômico com pressão nas contas públicas

Ao longo de quase 1.200 dias à frente do Ministério da Fazenda, o ministro Fernando Haddad enfrentou como principal desafio o equilíbrio das contas públicas, ponto considerado o mais sensível de sua gestão.

Desde o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, já havia sinalização de maior flexibilização fiscal, com a ampliação de gastos autorizada ainda no período de transição.

Dados econômicos do período indicam um cenário favorável em termos de atividade. Diferentemente de gestões anteriores marcadas por baixo crescimento, a economia brasileira avançou em média cerca de 3% ao ano. O desempenho foi acompanhado pela queda do desemprego a níveis historicamente baixos e pela inflação dentro da meta, mesmo com juros elevados.

No mercado financeiro, o ambiente também foi positivo em parte do período: a bolsa de valores acumulou forte valorização, com alta próxima de 80%, enquanto o dólar se manteve distante dos momentos de maior instabilidade — chegando a operar abaixo dos níveis registrados no fim de 2022.

Desafio fiscal persistente

Apesar do cenário econômico favorável, os indicadores fiscais seguiram pressionados. A dívida bruta do país cresceu de forma significativa, passando de cerca de 71,5% do PIB no início do governo para 78,7% ao final de 2025, refletindo uma sequência de déficits.

A política de arrecadação foi marcada por embates frequentes entre o Ministério da Fazenda, o Congresso e setores empresariais. Em alguns momentos, decisões do Supremo Tribunal Federal foram determinantes para viabilizar medidas defendidas pela equipe econômica.

Logo no início da gestão, em 2023, Haddad apresentou um pacote com corte de despesas e iniciativas para elevar receitas. Na sequência, propôs o novo arcabouço fiscal, mecanismo criado para substituir o teto de gastos e limitar o crescimento das despesas públicas.

Avanços e turbulências

A relação inicial com o Congresso permitiu avanços importantes, como a aprovação da reforma tributária, considerada um dos principais marcos da gestão. O cenário contribuiu, inclusive, para melhora na avaliação do Brasil por agências de risco.

No entanto, a revisão das metas fiscais no ano seguinte gerou reações negativas no mercado. Houve queda na bolsa e valorização do dólar, especialmente após anúncios envolvendo mudanças tributárias e medidas de contenção de despesas.

Ao longo da gestão, o governo também tentou reduzir benefícios fiscais e reequilibrar receitas, enfrentando resistência do Legislativo em diferentes propostas. Em 2025, disputas envolvendo mudanças no IOF acabaram sendo levadas ao STF, com resultado parcialmente favorável à Fazenda.

Últimos movimentos e cenário político

Na reta final, o ministro conseguiu aprovar projetos relevantes, como medidas de combate a devedores contumazes, cortes de incentivos fiscais e avanços na regulamentação da reforma tributária, além de mudanças no Imposto de Renda.

Antes de deixar o cargo, Haddad defendeu a condução da política fiscal e afirmou ter reduzido significativamente o déficit primário em comparação às projeções anteriores. Ele também voltou a defender ajustes nos gastos sociais.

A saída do ministério ocorre a pedido do presidente Lula, com o objetivo de disputar o governo de São Paulo contra Tarcísio de Freitas, em um movimento que também tem impacto no cenário eleitoral nacional.

 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
BANNER-300x600px-DESCARTE-DE-LIXO---PMS.gif

© 2023 por Amaury Aquino e Design Digital

bottom of page