G20 aprova declaração final apesar do boicote dos EUA e resistência de Trump
- Adilson Silva

- 22 de nov.
- 2 min de leitura
Os líderes do G20 aprovaram neste sábado (22), em Joanesburgo, a declaração oficial da cúpula, mesmo sem a participação dos Estados Unidos, que optaram por boicotar o encontro após discordâncias do presidente Donald Trump. O documento destaca o compromisso coletivo com ações globais para enfrentar mudanças climáticas e reforça o apoio ao multilateralismo — pautas rejeitadas pelo governo americano.

A declaração, composta por 122 pontos distribuídos em 30 páginas, foi aceita por aclamação na sessão de abertura. Em meio a tensões diplomáticas com a África do Sul — acusada por Trump de promover um suposto “genocídio branco” — os EUA foram o único país a não enviar representantes.
Embora o texto não atribua explicitamente a responsabilidade do aquecimento global às atividades humanas, ele reafirma metas previstas no Acordo de Paris, reafirmando o compromisso de reduzir emissões que contribuem para o aumento da temperatura global. Os EUA haviam deixado o acordo no início do mandato de Trump.
Brasil em destaque
A declaração cita o TFFF, fundo internacional para proteção de florestas tropicais proposto pelo Brasil durante a COP30, classificando o mecanismo como “inovador”. O documento também menciona o “sucesso” da conferência climática realizada em Belém — mesmo ainda em andamento.
Apesar de não ter força legal, a aprovação foi considerada uma importante vitória diplomática para o país anfitrião, liderado pelo presidente sul-africano Cyril Ramaphosa.
Durante seu discurso, Ramaphosa enfatizou a relevância histórica do encontro:
“A ausência de uma declaração final diminuiria o peso da primeira presidência africana do G20. Este documento representa o esforço coletivo das delegações que atuaram com boa-fé”, afirmou.
Na véspera, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva havia reiterado apoio à África do Sul para garantir a aprovação do texto.
Pautas abordadas
Além da agenda ambiental, o documento trata de temas estratégicos como:
ampliação de mecanismos para reduzir a dívida de países em desenvolvimento;
incentivo ao uso sustentável de minerais estratégicos;
aplicação de inteligência artificial para o desenvolvimento econômico;
investimentos estruturais no continente africano.
O texto também condena práticas terroristas e defende soluções pacíficas para conflitos internacionais, incluindo os que ocorrem na Ucrânia, Gaza e Sudão.
Encontro segue até domingo
A cúpula está prevista para encerrar no domingo (23). Paralelamente ao evento, diversos líderes estão realizando reuniões bilaterais. Um dos encontros agendados envolve Keir Starmer (Reino Unido), Friedrich Merz (Alemanha) e Emmanuel Macron (França), que devem discutir o plano de paz elaborado por Trump para o conflito na Ucrânia.
Do lado de fora do centro de convenções Nasrec, manifestantes protestaram contra o evento. A polícia montou barreiras para impedir aproximação ao local.







Comentários