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Fórum de Lisboa deve ter presença reduzida de autoridades após polêmicas envolvendo STF e Banco Master

O tradicional Fórum de Lisboa, organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes e conhecido nos bastidores políticos como “Gilmarpalooza”, deve registrar neste ano uma participação menor de autoridades públicas, magistrados e integrantes do governo federal.

Nos bastidores, o ambiente político criado após o escândalo envolvendo o Banco Master e as discussões sobre regras de conduta no Judiciário são apontados como fatores que contribuíram para o esvaziamento do evento.

A defesa de um código de ética para ministros do STF feita pelo presidente da Corte, Edson Fachin, também aumentou a cautela entre integrantes do Judiciário em relação à participação em encontros que reúnem magistrados, políticos, empresários e advogados.

O 14º Fórum de Lisboa acontecerá entre os dias 1º e 3 de junho, em Portugal, e terá como tema central debates sobre tecnologia, soberania e desafios democráticos e econômicos.

De acordo com informações de bastidores, integrantes da organização intensificaram contatos e convites para tentar ampliar a lista de palestrantes e participantes, especialmente entre ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Mesmo assim, o número de magistrados confirmados da corte caiu em comparação com o ano anterior. Até o momento, nove ministros do STJ confirmaram presença, enquanto em 2025 o evento contou com 18 integrantes do tribunal.

Entre os ministros do STF, apenas Flávio Dino confirmou participação até agora, além do próprio Gilmar Mendes. A expectativa é que o ex-presidente da Corte Luís Roberto Barroso também participe desta edição.

Ao contrário de anos anteriores, o encontro não deve contar com presidentes do Congresso Nacional nem com forte presença da Esplanada dos Ministérios.

A proximidade das eleições e o calendário de sessões nos tribunais superiores também foram apontados como obstáculos para a participação de autoridades. Alguns magistrados avaliam que a exposição pública em eventos desse tipo pode gerar desgaste em meio às investigações envolvendo o Banco Master.

Outro fator debatido nos bastidores é a preocupação de autoridades em aparecer ao lado de empresários ou figuras que eventualmente possam se tornar alvo de investigações futuras.

O Fórum de Lisboa já vinha sendo alvo de críticas por reunir membros do Judiciário, políticos, empresários e representantes do governo em um ambiente informal fora do país. Questionamentos sobre custeio de viagens e hospedagens também ganharam repercussão nos últimos anos.

Entre os nomes já confirmados para esta edição estão o procurador-geral da República Paulo Gonet, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil Beto Simonetti, além de ministros de tribunais superiores, advogados, desembargadores e parlamentares.

Nas edições anteriores, o evento reuniu centenas de autoridades brasileiras, incluindo ministros de Estado, governadores, parlamentares e dirigentes de órgãos públicos.


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