Fundador da Reag é citado em investigação sobre suposta lavagem de dinheiro no caso dos respiradores do Consórcio Nordeste
- Adilson Silva

- 11 de jun.
- 2 min de leitura
O empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, passou a figurar entre os investigados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU) no inquérito que apura possíveis desvios de recursos na compra de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia da Covid-19.

Segundo documentos citados pelo jornal O Estado de S. Paulo, os órgãos de controle suspeitam que empresas e fundos ligados ao empresário tenham sido utilizados para ocultar cerca de R$ 5 milhões relacionados à negociação dos equipamentos adquiridos pelo consórcio, então presidido pelo ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa.
A contratação investigada ocorreu em 2020, quando o Consórcio Nordeste firmou um acordo de R$ 48 milhões com a empresa Hempcare para a compra de respiradores destinados ao enfrentamento da pandemia. Os equipamentos, no entanto, nunca foram entregues e os recursos não foram recuperados integralmente.
As investigações apontam que parte dos valores teria passado por empresas e fundos de investimento vinculados a Mansur após transferências realizadas por uma empresa ligada ao empresário Fernando Galante, apontado pelos investigadores como intermediador do negócio. De acordo com a CGU, há indícios de que a movimentação financeira tenha sido utilizada para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
Relatórios da investigação indicam que R$ 5 milhões teriam circulado entre empresas e fundos ligados ao grupo Reag em operações realizadas poucos dias após o recebimento dos recursos. A Polícia Federal considera que a sequência de transações pode caracterizar uma tentativa de ocultação patrimonial.
O caso ganhou novo desdobramento após a Procuradoria-Geral da República solicitar que a investigação retorne ao Supremo Tribunal Federal. O argumento é que eventuais atos de ocultação dos recursos teriam continuado enquanto Rui Costa exercia o cargo de ministro de Estado, hipótese que poderia atrair a competência da Corte devido ao foro por prerrogativa de função.
A PGR sustenta que o suposto processo de ocultação dos valores pode configurar crime permanente, justificando a análise do caso pelo Supremo. O órgão também menciona movimentações financeiras envolvendo empresas e fundos associados à Reag como parte das apurações em andamento.
Até o momento, não há condenações relacionadas ao caso. As investigações seguem em curso, e tanto Rui Costa quanto João Carlos Mansur já negaram irregularidades em ocasiões anteriores ou não haviam se manifestado sobre os fatos citados na reportagem até sua publicação.








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