Flávio Bolsonaro diz que associação com Trump pode não ajudar pré-candidatura ao Planalto
- Adilson Silva

- 15 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta segunda-feira (15) que não vê, necessariamente, como algo positivo ter sua imagem vinculada ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma eventual disputa pela Presidência da República. A declaração foi dada em entrevista ao canal LeoDias TV, no YouTube.

A fala ocorre em meio a um desgaste recente de Trump junto à militância bolsonarista, após a Casa Branca retirar o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, da lista de sancionados pela Lei Magnitsky. A decisão também alcançou a advogada Viviane Barci, esposa do magistrado, e o Instituto Lex, empresa administrada por ela com participação dos filhos do casal.
Moraes havia sido incluído na lista de sanções no fim de julho, durante um período de pressão do governo americano para que o STF recuasse no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de liderar uma organização criminosa em uma tentativa de golpe de Estado.
Flávio negou que a retirada das sanções represente um enfraquecimento político da família Bolsonaro. Segundo ele, a medida não foi resultado de articulação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos e vinha sendo apontado por aliados como responsável por dialogar com autoridades americanas.
“As sanções não foram fruto de manipulação do Eduardo. Elas dizem respeito a interesses dos Estados Unidos e do Trump. Não faz sentido achar que alguém manipula o presidente americano. Isso não tem relação com a minha candidatura. Inclusive, nem sei se é bom ter o Trump colado à minha imagem”, afirmou o senador.
Após a decisão da Casa Branca, Eduardo Bolsonaro se manifestou nas redes sociais lamentando a retirada das sanções. Em publicação no X (antigo Twitter), afirmou que o Brasil teria perdido uma “janela de oportunidade” para enfrentar seus problemas institucionais. Na mesma noite, Alexandre de Moraes agradeceu publicamente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo empenho do governo brasileiro nas negociações com os Estados Unidos.
A postura de Trump gerou forte reação negativa em setores da direita brasileira. Militantes e parlamentares bolsonaristas passaram a criticar duramente o presidente americano, classificando a decisão como uma “decepção” e questionando sua postura diante do cenário político brasileiro.
Apesar do contexto, Flávio Bolsonaro reafirmou que mantém sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto e disse que haverá um representante da família Bolsonaro na disputa presidencial de 2026. Segundo ele, seu perfil será mais moderado do que o do pai durante o mandato entre 2019 e 2022, apontando a comunicação como o principal problema da gestão anterior.
“O eleitor sempre cobrou mais equilíbrio. Eu me vejo como alguém mais aberto ao diálogo, inclusive com a esquerda, sem personalizar conflitos”, declarou.
O senador evitou comentar qual nome da direita apoiaria caso não seja candidato, citando apenas que há diversos governadores bem posicionados no campo oposicionista ao PT. Ele também afirmou que, se pudesse escolher, preferiria ter uma mulher como vice na chapa, avaliando que isso ajudaria a ampliar o diálogo com o eleitorado feminino, segmento no qual Jair Bolsonaro enfrentou maior resistência nas eleições de 2022.







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