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Fadiga política e desafios de renovação colocam PT da Bahia à prova nas eleições de 2026

Após duas décadas no comando do Estado, grupo governista enfrenta desgaste, perda de aliados e cobrança por novas propostas para manter hegemonia política

Depois de 20 anos consecutivos à frente do governo baiano, o PT chega à disputa eleitoral de 2026 diante de um cenário marcado pelo desgaste natural de longos ciclos de poder. A missão de garantir a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues passa não apenas pela defesa da gestão atual, mas também pela capacidade de convencer o eleitorado de que ainda há espaço para renovação dentro do projeto político que administra o Estado desde 2007.

Entre os principais desafios enfrentados pelo grupo estão questões sensíveis para a população, como segurança pública e saúde. Os indicadores recentes reforçam cobranças sobre áreas consideradas prioritárias. Dados divulgados ao longo deste ano apontam que a Bahia segue entre os estados com maior número de homicídios do país, enquanto o sistema de regulação da saúde pública continua sendo alvo de críticas devido ao aumento no tempo de espera por atendimentos especializados.

A eleição de Jerônimo Rodrigues, em 2022, já havia demonstrado mudanças no cenário político baiano. Diferentemente das vitórias obtidas por Jaques Wagner e Rui Costa em eleições decididas ainda no primeiro turno, a disputa mais recente exigiu uma segunda etapa de votação. Na ocasião, a soma dos votos recebidos pelos candidatos da oposição no primeiro turno superou o total alcançado por Jerônimo, evidenciando um ambiente mais competitivo.

Outro fator que chama atenção é a redução do número de aliados históricos ao redor do grupo governista. Nos últimos anos, lideranças importantes deixaram a base de apoio. O rompimento do ex-vice-governador João Leão e a recente saída do senador Angelo Coronel da composição majoritária são apontados como exemplos de mudanças na aliança que sustentou a permanência do PT no poder.

Para o cientista político Paulo Fábio Dantas, o modelo político responsável pela ascensão petista na Bahia demonstra sinais claros de esgotamento. Segundo ele, a estrutura construída durante o governo de Jaques Wagner teve papel fundamental na consolidação do grupo, mas perdeu capacidade de renovação ao longo dos anos.

Na avaliação do especialista, a gestão de Rui Costa conseguiu preservar a força do projeto político, porém não foi capaz de formar novas lideranças com potencial para conduzir um novo ciclo de poder. Como consequência, o grupo teria perdido parte de sua capacidade de apresentar perspectivas de futuro ao eleitorado.

Mudanças nacionais também influenciam cenário baiano

Paulo Fábio destaca ainda que o desgaste observado na Bahia acompanha transformações ocorridas na política nacional nos últimos anos. Desde o segundo mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, o ambiente político brasileiro passou por mudanças significativas, com crescimento de forças de centro-direita e reorganização das alianças partidárias.

Segundo ele, o grupo governista baiano passou boa parte da última década tentando preservar sua estrutura política diante desse novo contexto, sem promover uma renovação capaz de reposicionar o projeto para os desafios atuais.

Enquanto isso, a oposição vê surgir uma oportunidade de voltar a disputar o Palácio de Ondina em condições mais equilibradas. Para o cientista político, no entanto, qualquer estratégia eleitoral dependerá da capacidade de construir um discurso voltado para a realidade baiana, evitando que a campanha seja dominada pela polarização nacional.

Influência de Lula continua sendo peça-chave

O desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva também deverá exercer papel decisivo na eleição estadual. Ao longo das últimas duas décadas, consolidou-se uma forte relação entre o eleitorado baiano e o PT, transformando o estado em um dos principais redutos eleitorais do partido no país.

Essa conexão se refletiu em diversas eleições, tanto nas disputas presidenciais quanto nas estaduais, especialmente pela capacidade de transferência de votos demonstrada por Lula em momentos estratégicos.

Apesar disso, Paulo Fábio avalia que o presidente enfrenta desafios relacionados às expectativas criadas durante a campanha de 2022. Para ele, parte do eleitorado esperava um governo voltado para a pacificação do ambiente político nacional, enquanto a atual gestão acabou mantendo o clima de confronto entre campos ideológicos.

Na visão do analista, esse cenário pode gerar impactos eleitorais em 2026, embora não seja suficiente para determinar sozinho o resultado da disputa presidencial ou das eleições estaduais.

Com a campanha se aproximando, tanto o PT quanto a oposição entram em uma nova fase de articulações, em um contexto que promete uma das disputas mais equilibradas dos últimos anos na Bahia.

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