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Ex-sócio do Banco Master prepara fundo para manter operação do Credcesta na Bahia

O empresário Augusto Ferreira Lima, responsável pela criação do Credcesta e ex-sócio do Banco Master, está estruturando um fundo de investimentos para garantir a continuidade do serviço na Bahia, único estado onde o produto ainda mantém exclusividade até 2033.

Foto: Vaner Casae/Alba/Arquivo
Foto: Vaner Casae/Alba/Arquivo

Sem conseguir viabilizar parcerias com instituições financeiras para sustentar a operação em nível nacional, a estratégia agora é concentrar esforços no mercado baiano. O Credcesta, voltado principalmente para servidores públicos, oferece crédito consignado com desconto direto em folha, além de outros serviços financeiros.

De acordo com especialistas do setor, o momento atual é de resistência por parte de bancos e fintechs em se associar ao produto, em função de riscos reputacionais ligados ao histórico recente envolvendo o grupo financeiro. Esse cenário dificulta tanto a expansão quanto a manutenção da operação em larga escala.

Nos bastidores, a proposta em desenvolvimento prevê a criação de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), com captação inicial estimada em cerca de R$ 500 milhões junto a investidores institucionais. A avaliação de profissionais do mercado é de que, para retomar uma atuação nacional, seria necessário um volume significativamente maior de recursos.

Parte das carteiras de crédito do Credcesta já foi transferida para outras instituições, que passaram a oferecer novos produtos aos clientes à medida que os contratos originais são quitados. Esse movimento tem provocado uma reorganização do mercado de crédito consignado no país.

Na Bahia, no entanto, a exclusividade contratual é vista como um fator que pode sustentar a continuidade do negócio, mesmo diante das dificuldades enfrentadas.

O Credcesta teve origem a partir de um cartão vinculado à antiga rede pública de supermercados Cesta do Povo, administrada pela Ebal, privatizada em 2018. A partir daí, o serviço foi ampliado e passou a ser ofertado em diferentes estados.

A expansão nacional ocorreu após parceria com o grupo financeiro liderado por Daniel Vorcaro. Posteriormente, Augusto Lima assumiu o controle de uma instituição ligada ao grupo, que foi reestruturada e passou a operar com foco no Credcesta.

Entretanto, investigações envolvendo o chamado “caso Master” provocaram uma crise no setor, resultando na liquidação da instituição financeira associada à operação e impactando diretamente a continuidade do serviço em vários estados.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a exclusividade do Credcesta foi suspensa. Já na Bahia, o contrato segue em vigor, embora esteja sob análise do governo estadual.

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) afirmou que aguarda um parecer da Procuradoria-Geral do Estado para avaliar a viabilidade da manutenção do contrato. Segundo ele, caso não haja condições operacionais adequadas, medidas poderão ser adotadas.

A Procuradoria-Geral do Estado da Bahia informou que ainda analisa os aspectos legais do acordo. Já o ex-governador Rui Costa declarou que a decisão cabe à atual gestão, com base em critérios técnicos, jurídicos e econômicos.

Enquanto isso, o mercado acompanha com cautela os desdobramentos do caso e a tentativa de reestruturação da operação no estado.

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