Empresa ligada a Ciro Nogueira adquiriu imóveis de luxo durante período investigado pela PF
A empresa CNLF Empreendimentos, ligada ao senador Ciro Nogueira, adquiriu imóveis de alto padrão em São Paulo durante o período em que, segundo investigação da Polícia Federal, recebeu repasses mensais atribuídos ao Banco Master, controlado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com as apurações, a empresa recebeu pagamentos mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao longo de 2024 e 2025. A PF investiga suspeitas de que os valores poderiam estar relacionados a favorecimentos políticos no Congresso Nacional. O senador nega qualquer irregularidade.
Entre os imóveis ligados à CNLF estão duas mansões na capital paulista e apartamentos em regiões nobres da cidade. Um dos imóveis fica no Jardim Europa e teria sido negociado por cerca de R$ 30 milhões, incluindo a entrega de um apartamento tríplex como parte do pagamento.
Outro imóvel, localizado no Condomínio Village Cidade Jardim, foi adquirido em outubro de 2025 por R$ 5 milhões e dividido entre a empresa ligada ao senador e o médico Pedro de Brito.
A empresa também comprou um apartamento na rua Oscar Freire, em São Paulo, por R$ 660 mil em agosto de 2024. Segundo Ciro Nogueira, o imóvel foi adquirido para sua ex-esposa, Iracema Portela.
Outra companhia da família, Fazendas Reunidas Nogueira Lima, também realizou aquisições imobiliárias durante o mesmo período, incluindo um terreno em Águas Claras, no Distrito Federal, comprado por R$ 5,3 milhões.
A investigação aponta ainda que a CNLF vendeu um apartamento no Jardim Paulista por R$ 6,5 milhões para a empresa Aliqum Participações, ligada à offshore Tedax Partners, sediada nas Ilhas Virgens Britânicas.
Segundo a PF, os pagamentos investigados teriam sido realizados pela empresa BRGD, vinculada a Felipe Vorcaro. A CNLF é administrada por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.
As investigações também relacionam o caso a uma proposta apresentada por Ciro Nogueira no Senado em 2024, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A proposta ficou conhecida nos bastidores como “Emenda Master”, por beneficiar diretamente o modelo de negócios do Banco Master.
Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal, a PF afirma que mensagens apreendidas indicariam participação de executivos ligados ao banco na elaboração da proposta. O ministro André Mendonça autorizou diligências relacionadas ao caso.
Em nota e declarações públicas, Ciro Nogueira negou ter recebido recursos ilícitos e afirmou que todos os imóveis foram adquiridos com recursos próprios de empresas da família, devidamente declarados e compatíveis com suas atividades empresariais.









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