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Eleitor busca renovação, mas vê disputa presidencial presa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, aponta Quaest

Levantamentos qualitativos indicam que eleitores independentes desejam novas lideranças, mas não acreditam que candidatos fora dos principais polos tenham força para chegar ao segundo turno

O desejo de renovação política continua presente entre eleitores que não se identificam com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem com o grupo ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, esse sentimento convive com a percepção de que a eleição presidencial de 2026 tende a permanecer concentrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Essa é a conclusão de duas pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest em maio. Os estudos acompanharam eleitores independentes em diferentes regiões do país e buscaram entender como esse grupo avalia o cenário político e os possíveis candidatos à Presidência da República.

De acordo com a coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Luciana Andrade, muitos entrevistados demonstram interesse por uma alternativa à atual polarização, mas não enxergam nomes com viabilidade suficiente para romper o domínio dos dois principais grupos políticos.

Segundo ela, há um sentimento de apreensão entre os eleitores, que acreditam que candidatos de terceira via dificilmente conseguirão espaço competitivo na disputa. Diante desse cenário, parte dos entrevistados afirma que poderá optar pelo candidato considerado “menos pior”, enquanto outros cogitam não comparecer às urnas.

Desgaste dos principais nomes

As pesquisas também apontam fragilidades na imagem dos dois nomes mais associados à disputa presidencial.

No caso de Lula, os entrevistados mencionam preocupações relacionadas à condução da economia e ao desgaste acumulado ao longo dos anos de vida pública. Já Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos ligados ao caso envolvendo o banco Master e à percepção de que uma eventual gestão sua representaria uma continuidade do governo de Jair Bolsonaro.

Apesar dessas ressalvas, os participantes das pesquisas ainda não identificam uma candidatura alternativa capaz de disputar em igualdade de condições com os dois polos.

Caiado é visto como experiente, mas com alcance limitado

Entre os nomes analisados, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), é reconhecido por parte dos eleitores como um político experiente e com posicionamentos firmes. A melhora dos indicadores de segurança pública no estado aparece como um de seus principais trunfos.

Por outro lado, sua candidatura enfrenta dificuldades para ampliar o conhecimento junto ao eleitorado de outras regiões do país. Além disso, alguns participantes associam sua imagem aos interesses do agronegócio e das elites econômicas.

Zema recebe elogios pela gestão, mas enfrenta dúvidas

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também teve sua experiência administrativa destacada pelos entrevistados. Ainda assim, muitos demonstraram dúvidas sobre sua capacidade de conquistar projeção nacional.

Entre as críticas apontadas estão o baixo nível de conhecimento fora da região Sudeste, além da percepção de que o político transmite uma imagem excessivamente técnica e pouco próxima da população.

Renan Santos ganha visibilidade, mas ainda é pouco conhecido

Já Renan Santos, pré-candidato da Missão, aparece como um dos nomes que mais se beneficiaram recentemente da crise envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a avaliação da Quaest.

Apesar do aumento de visibilidade, o dirigente ainda enfrenta obstáculos para consolidar sua candidatura. Os eleitores ouvidos relatam dificuldade em associá-lo a realizações concretas e não o enxergam, neste momento, como um concorrente com reais chances de chegar à fase decisiva da eleição.

Além disso, parte dos entrevistados considera que sua eventual gestão estaria mais alinhada aos interesses das elites do que às demandas da população em geral.

Os levantamentos reforçam que, embora exista espaço para uma alternativa política, a falta de conhecimento sobre os candidatos e a percepção de baixa competitividade continuam sendo os principais desafios para o surgimento de uma terceira via viável na corrida presidencial de 2026.

 
 
 

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