Economistas defendem aumento da tributação sobre os mais ricos e criticam cortes em programas sociais
Por Redação | Fatos Políticos
Um grupo formado por 50 economistas e especialistas divulgou um manifesto em defesa de mudanças na política econômica brasileira. Entre as principais propostas está ampliar a cobrança de impostos sobre pessoas de alta renda, em vez de reduzir recursos destinados a programas sociais e investimentos públicos.

Publicado na sexta-feira (30), o documento também questiona a pressão de setores do mercado financeiro por medidas de contenção de despesas como caminho para controlar o crescimento da dívida pública. Os signatários avaliam que essa estratégia pode comprometer políticas sociais e dificultar investimentos necessários ao desenvolvimento do país.
Os especialistas argumentam que o elevado custo dos juros tem papel importante no avanço do endividamento público. Segundo os números citados no manifesto, a dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto de 2026, ante 71,7% em 2022. O pagamento de juros, por sua vez, teria ultrapassado R$ 1,1 trilhão nos 12 meses analisados.
Como alternativa, o grupo propõe antecipar a aplicação de uma tributação mínima de 10% sobre rendimentos de pessoas que recebem mais de R$ 600 mil por ano. A medida alcançaria, entre outras fontes de renda, dividendos, juros sobre capital próprio e determinadas aplicações financeiras atualmente isentas.
O manifesto também recomenda uma revisão de benefícios fiscais, regimes especiais e incentivos tributários. De acordo com o documento, essas renúncias somam aproximadamente R$ 612,8 bilhões e deveriam ser reavaliadas pelo governo.
Outra reivindicação é a elaboração de um novo modelo de regras fiscais, com maior espaço para investimentos públicos. Os economistas defendem que despesas como Bolsa Família, recursos mínimos destinados à saúde e à educação e investimentos em infraestrutura e empresas estatais tenham tratamento diferente dos limites atuais de gastos.
O texto ainda pede mudanças na política monetária, incluindo a revisão da meta de inflação e medidas para reduzir os juros. Os autores argumentam que a taxa básica, a Selic, não resolve sozinha pressões inflacionárias provocadas por fatores como aumentos nos preços de alimentos e energia.
As propostas representam a posição dos economistas que assinaram o manifesto e integram um debate mais amplo sobre equilíbrio das contas públicas, tributação e prioridades orçamentárias. O Banco Central, por outro lado, sustenta que a política de juros também considera as pressões inflacionárias e os resultados fiscais do governo.










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