Discurso moral e oposição à esquerda aproximam trans conservadora e pastor em ato liderado por Nikolas Ferreira
- Adilson Silva

- 27 de jan.
- 3 min de leitura
A defesa de pautas morais e as críticas ao que classificam como intolerância da esquerda aproximaram a influenciadora Suellen Rayanne Linhares Ribeiro, conhecida como “trans de direita”, e o pastor Fábio Brito Santana em uma mobilização política ocorrida no último fim de semana.

Ambos participaram, em momentos distintos, da caminhada rumo a Brasília organizada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
A manifestação reuniu apoiadores do parlamentar em uma marcha que chamou atenção pelo grande número de políticos e influenciadores em busca de visibilidade, além de consolidar Nikolas como um dos principais articuladores do bolsonarismo e apoiador da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O evento também foi alvo de críticas de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No domingo (25), cerca de 18 mil pessoas se concentraram na praça do Cruzeiro, em Brasília, segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Cebrap em parceria com a ONG More in Common, com base em imagens aéreas. O ato encerrou uma caminhada iniciada no dia 19, em Paracatu (MG). Parte dos participantes ficou ferida após a queda de um raio durante a concentração final.
Segundo Nikolas Ferreira, a mobilização teve como objetivo pressionar pela libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros condenados por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
Embora não tenham viajado juntos, Suellen e Fábio Brito compartilham trajetórias semelhantes. Ambos afirmam ter se aproximado da direita a partir de 2015, período marcado por forte antipetismo e por protestos contra o governo da então presidente Dilma Rousseff (PT).
Suellen, de 26 anos, relata que passou a se afastar da esquerda após se sentir pressionada por militantes progressistas, ainda quando se identificava como homossexual. Hoje, como mulher trans, diz sofrer ataques por se posicionar politicamente à direita e critica o que considera contradições do discurso progressista em relação à pauta LGBT.
Influenciadora digital, ela afirma discordar da esquerda especialmente em temas ligados aos costumes. Entre suas posições, diz não apoiar o uso de banheiros femininos por mulheres trans nem a existência de crianças trans. Para ela, Nikolas Ferreira representa um modelo de atuação política em defesa daquilo que chama de “liberdade, justiça e democracia”.
Moradora de Rio Claro (SP), Suellen contou que viajou de ônibus para se encontrar com o grupo em Luziânia (GO), caminhou parte do trajeto, descansou em hotel e seguiu até Brasília no dia seguinte. No momento em que o raio atingiu manifestantes na praça do Cruzeiro, ela já se preparava para retornar para casa. Apesar do incidente, avaliou a participação como positiva.
Ela afirmou ainda que mantinha contato telefônico com Jair Bolsonaro antes da prisão do ex-presidente e disse que tanto ele quanto Nikolas sempre a trataram pelo nome social e no feminino. Em 2024, Suellen concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Rio Claro pelo União Brasil, mas não foi eleita. Atualmente, declara ser filiada ao PL.
Nikolas Ferreira, por sua vez, já enfrentou processos judiciais por acusações de transfobia, incluindo uma condenação ao pagamento de indenização por ofensa a uma mulher trans. Também protagonizou embates com parlamentares de esquerda e episódios polêmicos, como o uso de uma peruca na tribuna da Câmara, interpretado como ironia a pessoas trans.
Para Suellen, no entanto, o deputado não é transfóbico. Ela atribui parte das controvérsias a provocações de adversários políticos e afirma que algumas ações foram, em sua visão, uma defesa do espaço feminino.
Já o pastor Fábio Brito Santana, de 42 anos, afirma que sua aproximação com a direita está ligada à defesa de valores cristãos. Ele cita pautas como a legalização das drogas e do aborto como pontos de conflito com a esquerda. Santana relata ter saído de Salvador de carro na madrugada de sexta-feira (23) e se juntado aos manifestantes na região de Valparaíso (GO), seguindo depois para Brasília.
Formado em uma universidade federal, o pastor diz que passou a se identificar como conservador após vivenciar situações que interpreta como preconceito contra cristãos no ambiente acadêmico. Com esse argumento, defende Nikolas Ferreira das acusações de transfobia, afirmando que o deputado tem uma visão de mundo fundamentada na Bíblia.
Segundo Santana, reconhecer a identidade de uma pessoa trans é um direito individual, mas, sob a ótica cristã que defende, existem apenas dois sexos. Essa visão, afirma, orienta seu posicionamento político e religioso.







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